sexta-feira, 16 de abril de 2010

RECURSOS DISPONÍVEIS PARA OS FORMANDOS DE BRAGANÇA


Informamos os Formandos que frequentaram o curso de Filosofia Aplicada em Bragança, nos dias 7, 8 e 9 de Abril, que os recursos utilizados pelo Formador já estão disponíveis no MOODLE do Centro de Formação de Professores de Bragança Norte. Para isso, deverá efectuar o REGISTO na plataforma.

Clique AQUI para fazer o download de todos os recursos.

Para qualquer esclarecimento, contacte-nos: gabineteproject@mailworks.org

terça-feira, 13 de abril de 2010

JORGE HUMBERTO DIAS NO CENTRO CULTURAL DE BRAGANÇA


No passado dia 8 de Abril, pelas 21h, realizámos mais uma apresentação do livro «Felicidade ou Conhecimento?». Desta vez, no Centro Cultural de Bragança, com uma introdução de Elisete Conde Afonso, especialista em Linguística e Directora do Centro de Formação de Professores.
No final da apresentação, houve oportunidade para questões e para um diálogo com o público que encheu o Auditório Paulo Quintela.

X CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PRÁTICA FILOSÓFICA

Local: Leusden, Netherlands (Europe)
International School for Philosophy (ISVW), que é também um Hotel de Conferências


Data: 11 - 14 de Agosto de 2010

Organização: VFP - The Dutch Association for Philosophical Practice

WEBSITE

segunda-feira, 12 de abril de 2010

WORKSHOP DE FILOSOFIA PARA CRIANÇAS NO PORTO


Organização: ENTELÉQUIA - coordenador Nuno Paulos Tavares

sábado, 3 de abril de 2010

AULA DE TOMÁS MAGALHÃES CARNEIRO NA UNIVERSIDADE DO PORTO

Tomás Magalhães Carneiro é um dos Consultores Filosóficos mais dinâmicos da actualidade em Portugal. Formador de Professores na Universidade do Porto, Tomás M. Carneiro tem organizado inúmeros Cafés Filosóficos na capital do norte português, tornando-se assim a principal referência no nosso país.

Veja AQUI o vídeo da aula ministrada na Universidade do Porto
Para conhecer um pouco melhor o seu trabalho, clique AQUI.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

UM DESAFIO A JOANA SOUSA E À FILOSOFIA PARA CRIANÇAS


Resumir em 5 minutos o significado de «Filosofia para Crianças» não é tarefa fácil, mas Joana Sousa aceitou o DESAFIO e fez um favor ao público que assistiu ao IGNITE Portugal, na LX Factory, em Lisboa. Com este pequeno vídeo, qualquer pessoa poderá ter acesso ao trabalho que Joana Sousa desenvolve em Portugal, nesta área da Filosofia Aplicada.

Clique AQUI para ver o vídeo.

Caso esteja interessado(a), poderá consultar AQUI o site de Joana Sousa.

quarta-feira, 31 de março de 2010

NOVO ARTIGO PUBLICADO EM REVISTA CIENTÍFICA



Título do artigo: "Os Alunos como Professores (Peer Instruction) na Disciplina de Filosofia - O Ensino Prático da Autonomia (EPA)", pp. 221-251.

Autor: Dr. Jorge Humberto Dias

Revista INUAF STUDIA, nº 12, Maio 2009

Pedidos: gabineteproject@mailworks.org (envio gratuito)

quarta-feira, 24 de março de 2010

3ª APRESENTAÇÃO DO LIVRO «FELICIDADE OU CONHECIMENTO» - BRAGANÇA

APOIO: Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Bragança

domingo, 21 de março de 2010

COLÉGIO INOVADOR CRIA DISCIPLINA DA «FELICIDADE»


O projecto-piloto foi iniciativa de uma escola privada, o Wellington College, em Inglaterra.

Mais informações AQUI

Fonte: Revista ACTIVA

sexta-feira, 19 de março de 2010

NOVA ACÇÃO DE FORMAÇÃO PARA PROFESSORES DE FILOSOFIA - BRAGANÇA - 7-9/ABRIL

















O Centro de Formação de Professores de Bragança vai realizar, nos próximos dias 7 a 9 de Abril, a seguinte Acção de Formação Contínua para Professores de Filosofia:

Título da Acção:
«O Novo Paradigma da Filosofia Aplicada: Projectar a Felicidade na Escola»

Duração: 25 horas

Créditos: 1 Crédito

Formador: Dr. Jorge Humberto Dias

Inscrições: cfaebn@sapo.pt / 273333171

Mais informações AQUI

Pode inscrever-se qualquer pessoa interessada no tema

VAGAS LIMITADAS

domingo, 7 de março de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA


Este mês recebemos da Dinalivro este livro sobre o PROBLEMA FILOSÓFICO do «Sentido da Vida». Apesar de ser uma obra académica, pensamos que o leitor comum poderá retirar dela algumas ideias para a sua reflexão. Alguns artigos são mais complexos do que outros.
Sugerimos a leitura do capítulo 5. «Felicidade e Sentido: dois aspectos da Vida Boa», em que a autora, Susan Wolf, relaciona a importância das actividades na vida com a felicidade da pessoa. Esta conclusão aproxima-se da nossa Teoria sobre o PROJECT@ para a Consultoria Filosófica. Acreditamos que a realização pessoal pode aumentar em muito o sentido da vida...

Compre AQUI o livro

Leia AQUI a apresentação do livro

quinta-feira, 4 de março de 2010

CICLO FILOSOFIA APLICADA À VIDA - LISBOA

PRÓXIMAS ACTIVIDADES NO ESPAÇO D. DINIS
organizadas pela nova acrópole de lisboa COM O APOIO DE DIVULGAÇÃO DA ÉSQUILO

Av. António Augusto de Aguiar, 17 – 4º esq. – Lisboa

[Informações sobre as actividades: tels. 213 523 056 - 939 800 855]
- - - - - -
CONFERÊNCIA: «OS NOVOS CAMINHOS DA FELICIDADE»

Ciclo «A Filosofia Aplicada à Vida»
Sexta, 05 de MARÇO, 19h30
Por JOSÉ CARLOS FERNÁNDEZ

ESCRITOR, Investigador e DIRECTOR NACIONAL DA n.a.
ENTRADA LIVRE

CONFERÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DO CURSO
FILOSOFIA E PSICOLOGIA PRÁTICA
SABEDORIA VIVA DO ORIENTE E DO OCIDENTE

Mais informações AQUI

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CURSO DE CONSULTORIA FILOSÓFICA - LISBOA - 27-28/FEVEREIRO

50 % DE DESCONTO:

A todos aqueles que apenas desejarem participar num dia do curso: ou sábado ou domingo.

Contacto: 967320925.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

REVISTA BEBÉ CULINÁRIA ENTREVISTA JOANA SOUSA



A Revista Bebé Culinária entevistou Joana Sousa sobre a sua actividade na área da Filosofia para Crianças.

Mais info AQUI

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

AFINAL, O CAFÉ FAZ BEM À SAÚDE! QUEM DIRIA?!


Está em funcionamento uma campanha que afirma os benefícios do café para as mais variadas dimensões da saúde humana. Pelo seu carácter inovador e tendo em conta a articulação histórica do café com a Filosofia, escolhemos esta como a imagem do mês.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

NOVO FÓRUM DE DISCUSSÃO SOBRE QUESTÕES PRÁTICAS EM FILOSOFIA

O nosso Gabinete criou um Fórum de Discussão on-line, para que os seus visitantes tenham a oportunidade de debater, de forma construtiva, questões práticas da Filosofia, actuais e deveras pertinentes para o seu desenvolvimento no mundo das pessoas e das organizações. Participe!

Aceda AQUI ao nosso Gabinete no Facebook

Os Fóruns que temos abertos neste momentos são:

1. Tópico: PROBLEMAS FILOSÓFICOS DAS PESSOAS

Diga-nos o que entende por Necessidade/Problema Filosóficos das pessoas?

2. Tópico: EMPREENDEDORISMO EM FILOSOFIA

O que falta à Filosofia em Portugal, para que possa ser uma Saída Profissional para os jovens licenciados?

3. Tópico: VERDADE OU FELICIDADE?

Posicione-se e diga-nos qual o objectivo da vida...

4. Tópico: INVEJA

Qual a origem da inveja? E que consequências pode ter na vida das pessoas (a invejosa e a invejada)?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

DA FILOSOFIA À NEUROCIÊNCIA


Notícia do Diário de Notícias.

Este Investigador recebeu uma Bolsa Científica do European Research Council (ERC).

Destacamos aqui a seguinte pergunta da Entrevista:

"E porquê a neurociência?
Na universidade estudei psicologia, filosofia e informática. Era muito interessado pelas questões da mente, pela consciência e pela possibilidade de criar mentes artificiais. Depois descobri que os neurocientistas estavam a colocar estas questões que eu julgava estarem no reino da filosofia. Fiquei apaixonado e acabei por fazer o meu doutoramento em Neurociência."

Leia AQUI a Entrevista completa

sábado, 16 de janeiro de 2010

ENTREVISTA DE JORGE DIAS EM SÃO PAULO (BRASIL)


1. Ariana Pereira (Jornalista)- Dr. Jorge Dias, o que seria terapia filosófica?

1. Jorge Humberto Dias: Desde que participei na fundação da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico, em 2004, que essa questão tem sido amplamente discutida, não apenas em Portugal, mas sobretudo nos congressos internacionais de prática filosófica. Por exemplo, este ano, em Carloforte (Itália), o IX Congresso Internacional discutiu o tema do «Aconselhamento Filosófico e da Vida Filosófica». Nos diversos Fóruns realizados, pudemos constatar a existência de duas posições essenciais: os consultores filosóficos que não consideram a Filosofia uma terapia e os consultores filosóficos que consideram a Filosofia uma terapia.
A palavra «terapia» aponta para uma intervenção técnica necessária, no âmbito de uma mudança no paciente, que sofre de uma doença (física ou mental). O processo terapêutico envolve assim um objectivo de mudança no paciente, que recorre ao «terapeuta» (seja Fisioterapeuta, seja Psicoterapeuta) para curar a sua doença e diminuir a sua dor/problema.
Para mim, a Consultoria Filosófica Individual não é uma terapia (pelo menos por enquanto), pois não conheço estudos científicos que tenham identificado doenças filosóficas, assim como as respectivas terapêuticas (universalizáveis).
Por esta razão, prefiro utilizar outra linguagem: em vez de «terapia», utilizo «consulta»; em vez de «paciente», utilizo «consultante»; em vez de «doença», utilizo «problema». Além destes termos, utilizo também o de «necessidade filosófica», muito relacionada com os «problemas filosóficos», que, habitualmente, estão na origem de outros problemas e/ou justificam a consulta com um Filósofo certificado.
Se lermos os Estatutos da Sociedade Internacional de Prática Filosófica fundada por Gerd Achenbach – actualmente presidida por Thomas Gutknecht, encontramos uma clara referência a esta questão.
Ao lermos os livros do consultor Lou Marinoff – o mais popular dos consultores filosóficos – encontramos, por diversas vezes, a expressão «biblioterapia». Entendemos os objectivos desta técnica, mas pessoalmente não utilizaria o termo «terapia», embora reconheça que a aplicação da técnica possa provocar uma mudança na vida do consultante.…
Penso que deveremos ser rigorosos na utilização dos conceitos e na definição do tipo de trabalho que fazemos enquanto Consultores Filosóficos, pois a Consultoria Filosófica não pode ser «qualquer coisa subjectiva inventada por um curioso».…
Portanto, temos que promover mais a investigação científica nesta área, apelando ao trabalho conjunto entre as universidades e as associações profissionais. Os países latinos (Brasil, Portugal, Espanha, Argentina, Itália, México, França, Equador, etc. necessitam de mais projectos nesta área, desde cursos e workshops, debates, revistas, gabinetes, páginas web, etc.

2. AP - A superficialidade da sociedade impede que as pessoas sejam felizes?

2. JHD: No meu trabalho como Consultor Filosófico evito a utilização de expressões muito amplas, subjectivas e/ou vagas. Portanto, dizer que a sociedade é superficial exigiria uma análise filosófica longa, racional e fundamentada.
No entanto, posso dizer que algumas pessoas não dedicam tempo suficiente da sua vida à reflexão e diálogo sobre questões essenciais. Neste âmbito, a formação ao longo da vida é um aspecto pessoal importante, tal como o desenvolvimento de uma teoria pessoal sobre a Felicidade.
Por exemplo, ultimamente tenho realizado workshops sobre a Felicidade, onde apresento várias definições (exploradas ao longo da história do pensamento humano, pertencentes a autores de diferentes épocas e culturas) – incluindo a minha – com o objectivo de debatermos as diferentes perspectivas e avaliarmos a possibilidade de uma definição consensual e universalizável. No final deste trabalho prático (pouco visto na sociedade portuguesa), saímos do workshop com uma aprendizagem riquíssima, resultado da partilha de ideias, da confrontação conceptual e da interactividade pessoal.
Nestes workshops, é também a minha felicidade que está em jogo, pois aprendo muito com alguns participantes, além da testagem constante que realizo no diálogo filosófico com outras pessoas…

3. AP - Como buscar profundidade de relacionamentos e visões de mundo em uma sociedade acostumada ao "fast", ao imediatismo?

3. JHD: De facto, os organismos políticos têm algumas responsabilidades na construção da sociedade. Em Portugal vivemos uma crise mais profunda do que a anterior, que era de índole mais económica. A actual crise é mais social e, na minha perspectiva, filosófica. Penso que Portugal não tem um «Projecto» seu. Por essa razão, tem vivido na sombra de projectos de outros países, não havendo uma coerência interna na política global do país.
Quando não existem estruturas que ajudem os cidadãos, é muito difícil que um cidadão e sua liberdade reduzida consigam construir uma felicidade sólida e com qualidade. Este tipo de sociedade é muito facilmente levado a confundir felicidade com alegria, prazer, dinheiro, telemóveis 3G, playstations, dvd’s, tv's plasmas, etc.
Na minha teoria sobre a felicidade atribuo um lugar de destaque aos organismos políticos governativos, pois considero que têm um enorme poder na gestão da vida dos cidadãos, mas, mais do que isso, na promoção das condições (educação, liberdade, etc.) que poderão permitir a construção e realização da felicidade pessoal.…
Se olharmos para a história, encontramos centenas de definições de felicidade. De facto, algumas delas não consideram possível ser feliz no imediatismo competitivo da vida contemporânea. Mas também existem teorias a dizer exactamente o contrário. Portanto, penso que o ideal é cada um dedicar-se à formação da sua filosofia de vida pessoal, elaborando a sua teoria sobre a felicidade. Depois, à medida que for realizando as suas «experiências felicitárias» vai adaptando a sua teoria à prática quotidiana da sua vida em sociedade. Só assim será possível melhorar a teoria e viver com mais felicidade.
Quanto a mim, seria um erro querer forçar uma definição de felicidade, elaborada por outros e sem qualquer sentido para a pessoa que a pretende viver.

4. AP - Pela propaganda de fugir do sofrimento, não seria mais complicado as pessoas optarem pela filosofia que é algo que faz pensar e pode gerar crises?

4. JHD: Esta pergunta é um excelente exemplo da importância que a Filosofia tem na actualidade. Não me refiro à Filosofia teórica e histórica (que será sempre importante, embora no contexto próprio, ou seja, académico e de investigação), mas à Filosofia prática e contemporânea (que é construída a partir das necessidades filosóficas das pessoas).
É evidente que nem todas as pessoas procuram a Filosofia! Mas também podemos tentar ver a questão numa outra perspectiva: que Filosofia? E se formos mais longe, perguntamos ainda: o que tem a Filosofia contemporânea para oferecer às pessoas? O Brasil deu um importante contributo para o desenvolvimento da prática filosófica ao criar uma lei que obriga todas as escolas do ensino médio a leccionarem a disciplina de Filosofia. Esperemos que o país ganhe com essa decisão política.
Noutros países, como Portugal, a disciplina está a desaparecer, tendo sido substituída pela Área de Integração, que congrega saberes de várias disciplinas, desde a Sociologia à Psicologia, à Política e à Filosofia.
Espanha está num lugar intermédio, pois criou a disciplina de Ética e manteve a disciplina de Filosofia nos últimos dois anos pré-universitários.
Portanto, como vemos, a relação entre a Filosofia e os problemas das pessoas depende do país a que nos referimos. Em Itália, por exemplo, encontramos 14 associações de prática filosófica, além de um conjunto de empresas que oferecem serviços filosóficos. Na Holanda também encontramos algumas empresas a fornecer serviços de Consultoria Filosófica Organizacional.
Penso que o «filosofar» é mais uma atitude consciente, valorativa e com sentido, do que a posse de uma diversidade de conhecimentos.
Por outro lado, não penso que a Filosofia tenha um papel superior ao das outras disciplinas. Penso que é importante haver trabalho filosófico nas instituições, mas não penso que a Filosofia possa, por si só, salvar” pessoas e sociedades. Por outro lado, também não penso que a Filosofia possa, por si só, dar origem a crises e revoluções. O que a Filosofia pode fazer é ajudar pessoas e instituições a avançar ou recuar, mas isso depende do contexto envolvente.
O que observo nas minhas consultas é que as pessoas que têm realmente problemas filosóficos aparecem já com essa consciência e não têm qualquer problema em solicitar a marcação de uma consulta. Ao contrário, quando as pessoas não sabem que tipo de problema têm, vivem confusas e provavelmente terão vergonha em pedir ajuda. Quando recebo pessoas com problemas que não sejam filosóficos encaminho-as imediatamente para colegas de outras áreas.

5. AP - Por que as pessoas, mesmo tendo tudo o que faria uma pessoa feliz, não se dão conta e continuam em uma constante busca?

5. JHD: A procura (ou investigação) é aquilo que mais constitui a dimensão amorosa do ser humano. Sendo a Filosofia um «amor à sabedoria», a atitude da pessoa que se dedica à Filosofia sendo profissional ou não é a da humildade e consciência de que o mundo é demasiado grande para poder ser conhecido totalmente por um só ser humano. Ao longo dos tempos, a Filosofia tem estudado as questões mais complexas da existência humana e não-humana. Teoricamente, e como possibilidade, qualquer questão poderá aparecer no Gabinete do Consultor Filosófico.
Mas na prática, são as questões existenciais que mais aparecem, como por exemplo: o sentido da vida, dilemas, problemas relacionais, conflitos valorativos, etc.
Assim, cabe ao Consultor Filosófico orientar a pessoa na procura de uma solução para o seu problema. Tal como já dei a entender noutra questão, nem sempre é fácil explicar às pessoas o que significa a «consultoria filosófica», visto que algumas das palavras que utilizamos nesta área de trabalho não têm o mesmo significado do habitual. Por exemplo, quando falamos em «solução do problema», surge logo a ideia dos matemáticos, no sentido de termos uma resposta definitiva, universal e plenamente satisfatória. Em Filosofia não podemos utilizar esse sentido matemático. Aliás, creio que a própria Matemática está a utilizar mais outras expressões que a aproxima da Consultoria Filosófica, como por exemplo, «probabilidade», «preferência», «solução óptima», etc.
Outro exemplo: a máxima sobre a auto-medicação, que se aplica aos doentes da Medicina: «Um medicamento receitado pelo seu médico pode não servir para outra pessoa com sintomas semelhantes», pode ser utilizada, também, com os consultantes na Filosofia: «Uma análise racional orientada pelo consultor filosófico pode não servir para outra pessoa com as mesmas preocupações».
Gostaria de terminar a minha resposta a esta questão com uma referência ao ter tudo. Na actualidade, o tema da felicidade é algo que vende muito. Os especialistas da publicidade (e outros) perceberam muito bem que «Todos queremos ser felizes.» (Agostinho de Hipona, Diálogo sobre a Felicidade) A partir daí iniciou-se uma exploração extremamente agressiva (e nalguns casos muito inteligente) acerca dos conteúdos prováveis da vida feliz. As ofertas são intermináveis! Alguns estudos dizem-nos que os livros de auto-ajuda são os que mais vendem. E tudo isto, porquê? Porque a questão da felicidade é um problema filosófico pessoal que jamais terá uma solução absoluta e universal. No entanto, penso que a nossa época é caracterizada por um aumento dessa procura no «imediato», precisamente porque a questão assumiu uma importância muito grande.
O que me parece que está a acontecer é que as pessoas estão a fazer, na sua vida privada, experiências filosóficas pessoais no domínio da felicidade, ou seja, a vida de algumas pessoas tornou-se um autêntico «Laboratório de Filosofia» - com mais ou menos reflexão e procura. O problema é que a maioria dessas pessoas faz essas experiências sem a ajuda de um profissional certificado: o Consultor Filosófico.
Não vejo a felicidade como um estado de perfeição, alcançável com a obtenção de um conjunto de coisas, mas como uma atitude inteligente de compreensão do lugar do ser humano na vida em sociedade, realizando pessoal e socialmente essa sua «Filosofia de vida» (anteriormente fundamentada por argumentos racionais e vitais). Viver de acordo com a sua ideia de felicidade é o objectivo de qualquer ser humano. O problema é que essa ideia de felicidade pode não ser a melhor… Quem o sabe? E como? É aqui que o diálogo filosófico adquire todo o sentido, como uma das melhores formas de aprendizagem, para uma «vida examinada» (Sócrates) e «melhor vivida».

6. AP - Grandes gênios são também conhecidos pela infelicidade com que enxergaram a vida. Aprofundar-se no que é ser humano é ser constantemente insatisfeito?

6. JHD: «Ser feliz» não tem uma relação directa com o «ser Filósofo». Aliás, nem todos os Filósofos abordaram a questão da Felicidade. E mesmo aqueles que a abordaram, não sabemos se foram felizes…
Penso que esta questão é um pouco como aquele ditado popular: «Faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço». Por vezes, aplica-se este ditado popular à profissão dos médicos, que estão sempre a aconselhar os seus pacientes a deixar de fumar, embora, alguns médicos, fumem.
O mesmo acontece com os Filósofos que elaboraram sistemas teórico-práticos sobre a questão da felicidade. Não significa que os Consultores Filosóficos que utilizem estes sistemas no trabalho de consulta filosófica com clientes, sejam felizes.
Quanto à parte final da sua pergunta, penso que o aprofundamento da humanidade não leva necessariamente à insatisfação, embora possamos admitir que a realização da vida humana não tenha um fim propriamente predefinido. Para mim, é essa dimensão de indeterminação que dá fascínio à vida humana e que dá liberdade às decisões pessoais e ao modo como cada um constrói o seu caminho nesta vida.
Daí que a imagem do labirinto, que escolhemos para a capa do Manual de Formação de Consultores Filosóficos (2006), dirigido pela Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico, tenha a virtude de mostrar que a vida tem, não apenas uma única saída, mas vários caminhos para lá chegar.
Quanto a mim, só é insatisfeito quem apenas valoriza a dimensão emocional da humanidade… Penso que a Consultoria Filosófica deve ter em conta a dimensão global do ser humano. Aprecio bastante a Abordagem da Complexidade (Edgar Morin), que alguns autores têm aplicado ao estudo da Filosofia.

7. AP - Nietzsche compreendeu de tal forma a humanidade que ainda hoje está muito à frente do nosso tempo. Apesar disso, não conseguiu suportar a realidade. Compreender a realidade é capaz de nos tornar felizes?

7. JHD: Falar em Nietzsche faz-me sempre lembrar o livro de Irvin Yalom When Nietzsche Wept (Quando Nietzsche Chorou), de 1992. Como todos sabemos, Yalom é professor de Psiquiatria e Psicoterapeuta, mas o livro é uma autêntica promoção da Consultoria Filosófica. E para isso, o autor teve de assistir a cursos sobre Nietzsche, Filosofia Alemã e Fenomenologia. Mais curioso ainda, para quem aprecia o trabalho deste autor, foi a leitura dos «Agradecimentos», na sua obra The Schopenhauer Cure (A Cura de Schopenhauer) , de 2006. Alí podemos encontrar referências às principais obras da Consultoria Filosófica, como: Peter Raabe, Philosophical Counseling: Theory and Practice, Shlomit Schuster, Philosophy Practice: An Alternative to Counseling and Psychotherapy, Lou Marinoff, Plato, not Prozac, Pierre Hadot, Philosophy as a Way of Life: Spiritual Exercises from Socrates to Foucault, Alain de Botton, The Consolations of Philosophy.
Isto significa que o autor, para escrever sobre a Consultoria Filosófica, teve necessidade de investigar. A sua ideia, no livro sobre Nietzsche, foi abordar vários temas pouco explorados pela literatura, como por exemplo, «os problemas filosóficos dos médicos (em geral)», «a utilidade da Filosofia na gestão de problemas filosóficos pessoais», «a formação do Consultor Filosófico», «os métodos da Consultoria Filosófica», etc. Nesse livro, percebemos que a Filosofia de Nietzsche foi muito útil ao médico Josef Breuer, que sofria imenso com o «desespero» - problema filosófico pessoal também explorado por Sören Kierkegaard.
Para responder mais directamente à sua pergunta, cito a frase inaugural da obra: “Alguns não conseguem afrouxar as suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar os seus amigos.” (Nietzsche) Ao abrir o livro com esta frase, Irvin Yalom pretende dizer que a Filosofia de Nietzsche pode ajudar os consultantes, mas isso não significa que o próprio Nietzsche tenha vivido feliz e sem problemas. Penso que ainda há muita matéria para estudar sobre a vida de Nietzsche.

8. AP - Há algumas dicas que as pessoas possam seguir para buscar a felicidade por meio da filosofia?

8. JHD: Em primeiro lugar, é preciso compreender que a felicidade é um assunto pessoal da responsabilidade de cada um.
Em segundo lugar, temos de reconhecer que existem várias ciências a fornecerem contributos diferentes para a construção da felicidade pessoal e social. A Filosofia foi das primeiras áreas a reflectir sobre o assunto. Por exemplo, Aristóteles inclui na sua Ética a Nicómaco dois capítulos sobre a Felicidade (o primeiro e o último). Séneca foi o autor de A Vida Feliz. Epicuro escreveu a Carta sobre a Felicidade. Já na nossa época, temos Bertrand Russell, The Conquest of Happiness, Andre Comte-Sponville, Le Bonheur, désespérement, Darrin Macmahon com The Pursuit of Happiness, Gilles Lipovetsky, Le Bonheur Paradoxal e Julián Marías, La Felicidad Humana. Na actualidade, já quase todas as ciências sociais e humanas se pronunciaram sobre o tema, tendo especial destaque a Psicologia e, mais recentemente, as Neurociências.
Posto isto, caberá a cada pessoa (consultante ou não da Filosofia) elaborar a sua teoria sistemática (aberta ou fechada ao transcendente) sobre a felicidade. Se acreditarmos que as teorias são influenciadas por determinados contextos sócio-políticos e culturais, então, cada pessoa deverá dialogar com as teorias do passado, mas sempre com o objectivo de construir a sua teoria, no sentido de a aplicar na gestão da sua vida.
É por esta razão que já escrevi algures que a felicidade é o tema mais importante da vida humana pessoal e que cada pessoa não poderá ser feliz se não tiver um projecto de vida com sentido para si.
Quando coordeno workshops de Consultoria Filosófica sobre a felicidade, o objectivo não é ensinar teorias que outros Filósofos construíram, mas promover no pensamento das pessoas um conjunto de competências filosóficas, que lhes permita elaborar a sua própria teoria sobre a felicidade, assim como a sua aplicação à vida prática de todos os dias.
Este é um processo temporal e pessoal que poderá ser efectuado com o acompanhamento de um Consultor Filosófico. Portanto, as teorias dos outros Filósofos não são uma “finalidade”, mas um instrumento para ajudar as pessoas a reflectir e a projectar, ou seja, servem de ponto de partida…
Por exemplo, nos últimos workshops que realizei sobre a felicidade, utilizei o artigo que escrevi para o Grupo de Investigação em Filosofia Aplicada, da Universidade de Sevilha (Espanha): La felicidad como objetivo de la Filosofia Aplicada. Neste artigo encontramos algumas teorias filosóficas sobre a felicidade, avanço com a minha ideia de felicidade F=P+C (Felicidade = Projecto + Concretização) -, apresento o método PROJECT@ e exploro um caso-de-consulta: o Caso de Manuela.
Tal como o consultante, o Filósofo é aquele que se compromete com uma determinada definição. Neste âmbito, a felicidade é apresentada como uma finalidade da vida humana, baseada numa teoria do ser humano, como «projecto no tempo» que vive sempre à procura de um sentido para cada acção que pratica.
Nesta minha teoria sobre a felicidade não apresento conteúdos, mas formas de ser e de estar. A ideia é promover a realização das principais características humanas da nossa época. Conseguindo-o, já estamos no caminho da felicidade. E por isso, ser feliz está no próprio caminho e nos objectivos de vida que vamos realizando…
Biografia de Jorge Dias

Jorge Humberto Dias nasceu em Angola a 2 de Maio de 1973. Com a Revolução da Liberdade, em 1975, viajou com os seus pais para o Brasil (São Paulo). Com apenas 5 anos de idade, chega a Portugal, onde realiza os seus estudos secundários de Direito e Administração Pública, licenciando-se em Filosofia (especialização cientifica de Ética e Política) na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), com a tese A Felicidade em Julián Marías. Realizou especializações na área da Educação para a Cidadania (Instituto da Educação Lisboa) e na área do Aconselhamento Filosófico (Society for Philosophy in Practice - Londres). Em 1999 foi admitido no Mestrado em Filosofia, na Universidade Nova de Lisboa e em 2003 inicia o seu projecto de Doutoramento em Filosofia na mesma universidade.
Em 2004 participou na fundação, em Lisboa, da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico. Organizou vários Congressos Internacionais, tendo convidado Lou Marinoff, José Barrientos, Félix Moriyón, Óscar Brenifier, Rayda Guzman e Gabriel Arnaiz; promoveu a formação profissional e especializada, coordenando 8 cursos práticos para Consultores Filosóficos; organizou o Manual de Formação da associação intitulado Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor (2006) e as Actas dos Congressos (2005 e 2008). Publicou vários artigos científicos, destacando-se o mais recente, num livro espanhol: La Felicidad como Objetivo de la Filosofia Aplicada (2008).
Em Julho de 2009 foi conferencista na IX Conferência Internacional de Prática Filosófica, em Carloforte (Itália), tendo representado Portugal nos Reports around the World e coordenado um workshop sobre o seu método de consulta filosófica: PROJECT@. No último dia da conferência, Jorge Humberto Dias participou no Fórum sobre Philosophical Counseling for Organizations, a convite de Ran Lahav.
Jorge Humberto Dias é professor convidado no Titulo Experto Filosofia Aplicada a la Orientación Racional (Universidade de Sevilha - Espanha) e no Master Práctica Filosófica y Gestión Social (Universidade de Barcelona - Espanha).
Actualmente, Jorge Humberto Dias é professor na ESVRSA (Portugal) e Consultor Filosófico no Gabinete PROJECT@ (http://gabinete-project.blogspot.com/), onde realiza consultas individuais, workshops sobre a Felicidade e outras actividades.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ENTRE E SENTE-SE. A AULA HOJE É SOBRE A FELICIDADE.




Gostaria de assistir a uma Aula sobre a Felicidade?

Se sim, clique AQUI.

O professor é o psicólogo americano Daniel Gilbert.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A ÉTICA NA ECONOMIA GLOBAL - CONFERÊNCIAS EM LISBOA


JOSÉ GIL NA GRANDE REPORTAGEM SIC

Para entrar no novo ano, a SIC pediu a dez portugueses de diferentes idades, profissões e zonas do país, propostas ou desejos para Portugal, para a próxima década.

«Portugal 2010 - Ideias para a década» é o nome da Grande Reportagem SIC
Neste trabalho, a SIC pediu ao filósofo José Gil que ajudasse a pensar sobre as respostas que foram dadas.
"Portugal 2010 - Ideias para a Década". Uma Grande Reportagem que reflecte sobre quem somos, de onde partimos e para onde vamos."
Esta Grande Reportagem SIC passou ontem, Segunda-Feira, dia 4 de Janeiro, a seguir ao Jornal da Noite.
Veja AQUI o video

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PORQUE É QUE O NOSSO GABINETE TEM O NOME DE «PROJECT@»?

Uma mera possibilidade de explicação:

"Em todas as épocas da história, a hora que se apresentou actual foi de indecisão e de escolha; em todas elas, para que alguma obra surgisse, foi necessário um projecto; o projecto parte do presente, só pode existir mesmo no presente, mas é uma condição de futuro; simplesmente, para que ele se realize, para que depois nele se baseiem outras organizações de ideias, é necessário um acto de vontade." (Agostinho da Silva IN Glossas)

SUGESTÃO DE LEITURA:


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

NOVO LIVRO DE FILOSOFIA APLICADA - de ALAIN DE BOTTON

" (...) Sem precisar de ter lido a obra-prima do filho, Adrien Proust – um proeminente médico de craveira internacional, professor na Faculdade de Medicina de Paris e autor de 34 livros sobre saúde, higiene e bem-estar – parece nunca ter desperdiçado um minuto da sua vida e quando, no fim da mesma, lhe pediram um balanço, terá respondido: «Fui feliz toda a vida.» (...) "


Leia AQUI uma notícia sobre este novo livro

Compre AQUI o livro de Alain de Botton

domingo, 13 de dezembro de 2009

JORGE DIAS E JOSÉ BARRIENTOS LANÇAM NOVO LIVRO



Jorge Dias e José Barrientos publicam em Espanha um novo Livro:

"FELICIDAD O CONOCIMIENTO? LA FILOSOFIA APLICADA COMO LA BÚSQUEDA DE LA FELICIDAD Y DEL CONOCIMIENTO".

Trata-se de um projecto que ocupou os autores ao longo dos 2 últimos anos e que resume o percurso de ambos na Consultoria Filosófica. São abordadas definições, explorados métodos de consulta, apresentados casos práticos, etc.
O título espelha a diferente posição dos autores, relativamente à fundamentação da Consulta Filosófica: Jorge Dias considera que a Consulta deve potenciar a FELICIDADE do consultante; José Barrientos afirma que a Consulta deve ajudar o consultante a encontrar a  VERDADE do seu pensamento...

sábado, 12 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O CASO DE MARIA


" A Maria conheceu-me através de uma amiga sua, que lhe contou que nas aulas o seu professor de Filosofia tinha referido a existência do Aconselhamento Filosófico como uma «Terapia para Saudáveis», e que tinham desenvolvido toda essa área durante o 3º Período, com a análise e o debate de casos. Essa área prática da Filosofia, dizia ela à amiga, preocupava-se em aplicar os sistemas filosóficos às questões da vida em sociedade. E que durante algumas aulas, os alunos estiveram a analisar a questão da felicidade, a partir de casos práticos do livro do professor Louis Marinoff.
Desta forma, os alunos entenderam que as teorias filosóficas sobre a Felicidade podiam ser muito úteis quando aplicadas à vida de cada um, e como exemplos, foram explorados nas aulas as teorias de Platão e Aristóteles, passando por Epicuro e Séneca, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, até Kant, Stuart Mill, Julián Marias, Fernando Savater, etc.
Ao ouvir as novidades da sua amiga, a Maria sentou-se triste nesse dia e pensou o quanto era infeliz com a vida que tinha. Começou a chorar.
A sua amiga estranhou como é que uma partilha tão alegre podia fazer a Maria ficar tão triste. E não hesitou em perguntar: o que se passa? Tens algum problema? Ao que Maria de imediato respondeu: sim, sou infeliz e gostava de perceber porquê, assim como tentar encontrar um caminho que pudesse dar algum sentido à minha vida. Aamiga sugeriu que a Maria fosse falar com um Conselheiro Filosófico que tinha encontrado na Internet.
No dia a seguir, no final da aula, a sua amiga enviou-me um e-mail a expor a situação e perguntou-me se seria possível eu conversar com a Maria.
Marcámos para o dia a seguir, ao fim da tarde.
Quando vi a Maria pela primeira vez, senti logo que o seu olhar revelava alguma tristeza. A intuição do filósofo. Sentamo-nos confortavelmente e comecei por perguntar à Maria qual era a questão que a preocupava.
A Maria disse que era a relação dos pais e a sua própria relação com os pais. E que não sabia como gerir essas relações, nem sabia o que fazer quando ambos a convidavam para algo.
Os pais da Maria tinham-se divorciado há pouco tempo. Revoltada com a situação, decidiu ir viver com a madrinha. Pai e mãe reiniciaram uma nova vida, e a Maria não estava a saber gerir nem enquadrar-se na nova situação. A mãe saía à noite com as amigas; o pai começou a viver com outra mulher e os seus dois filhos. Tudo mudou na sua vida. Estava a aproximar-se o dia do seu aniversário e a Maria não sabia com qual dos dois deveria ir festejar, sobretudo porque os seus pais viviam longe, em cidades diferentes. O Natal era outro acontecimento que a preocupava, assim como a sua vida universitária e as suas despesas pessoais.
Tudo mudou na vida da Maria, mas sobretudo era o seu modo de pensar que exigia novos conceitos, um reequacionar do seu sistema de valores e respectiva hierarquia, assim como um novo sentido para as suas relações familiares. A Maria queria construir um projecto de vida que lhe trouxesse felicidade, segurança, amor e uma profissão.
Iniciei um conjunto de sessões com a Maria, com o objectivo de trabalhar todas estas questões. Essencialmente, centrei o meu trabalho no conceito de projecto, que a Maria tinha, e agora mais do que nunca, de encontrar e elaborar. Começaram a surgir várias hipóteses e ideias na vida e no pensamento da Maria. Através da análise das suas emoções, facilmente percebi quais os conceitos que a Maria necessitava de trabalhar.
Comecei por estabelecer um plano de sessões, começando pelos conceitos e valores base, e progredindo, como lhe chamaria Tim Lebon, para os conceitos e valores aos quais estavam ligadas as emoções. Na minha perspectiva, e fruto da experiência que tenho recolhido nas sessões com os clientes, penso que é mais frutífero trabalhar primeiro os conceitos e valores que não têm grandes emoções associadas, mas sem nunca esquecer os que têm, pois são esses que revelam maior importância na vida do cliente, pelo menos naquele momento, e que eventualmente justificam a consulta com o Conselheiro Filosófico.
Como em qualquer situação, e isso parecia-me normal, a Maria pretendia sair de casa e ir estudar e trabalhar para longe. Talvez assim conseguisse libertar-se das emoções negativas que a atormentavam e faziam sofrer e dizer que estava infeliz. Mesmo depois de analisarmos os argumentos racionais das várias hipóteses, a Maria foi mesmo para outra cidade à procura de um novo mundo e na tentativa de criar um novo projecto para sua vida. Continuei a acompanhar a Maria nessa outra cidade, porque também eu tinha nessa cidade vários projectos, e tinha que me deslocar até lá várias vezes por mês.
Voltando um pouco atrás, a Maria necessitava de perceber as razões que levaram os seus pais a divorciar-se; precisava também de saber o que era um projecto de vida e como se construía um, sem que o mesmo pudesse ser abalado à primeira dificuldade ou abandonado à primeira paragem; precisava saber como gerir a relação dos e com os pais. O que rapidamente percebi é que a Maria aceitava o divórcio dos pais, pois há muito que tinha percebido as suas divergências. O que a Maria não entendia eram as razões que levaram, gradualmente, ao fim da relação. Foi assim que comecei por analisar com a Maria o conceito de relação, tema fundamental em qualquer Ética Pessoal. Aproveitei para dar a conhecer à Maria as obras de Aristóteles e de Julián Marías, visto que também me tinha solicitado um livro que pudesse ajudá-la e fazer-lhe «companhia» nos momentos em que se sentia mais sozinha. Sugeri que lesse a Ética a Nicómaco, o capítulo sobre a amizade, e que aí analisasse o conceito de relação; como a Maria também lia espanhol, sugeri-lhe La Felicidad Humana. Confesso que as sessões, a partir daí, foram muito mais fáceis. Tornaram-se uma espécie de conversa sobre o modo de colocar na prática a teoria que a Maria ia definindo relativamente à sua felicidade, adaptando-a aos conteúdos da sua vida.
Depois da Maria perceber que já não existia, ou talvez nunca tenha existido, a relação ideal que a Maria preconizava para a sua vida familiar, e que isso não dependia apenas dela, facilmente se dedicou à análise da relação que seria possível ela estabelecer com a sua mãe e com o seu pai, separadamente. A Maria percebeu que o conceito de relação pode estar associado ao valor da amizade, do amor ou da felicidade, desde que possua determinadas características essenciais como a reciprocidade, a promoção, a alegria, o apoio, a disponibilidade. Nessa sessão, exploramos exaustivamente a teoria da amizade de Aristóteles.
A Maria agradeceu-me e nunca mais apareceu. Mas enviou-me um e-mail, a dizer que o importante tinha sido o facto de o Conselheiro Filosófico ter compreendido a sua situação, ter «perdido» tempo a analisar toda a sua circunstância, e, a vantagem suprema, ter contribuído para que arrumasse as suas ideias, emoções, valores e crenças. Por vezes, pensamos que isto se faz facilmente sozinho, mas não. É preciso sermos cuidadosos e precisos no modo como gerimos o nosso «sentido» ético e as relações que estabelecemos com o mundo. Seria muito doloroso se descuidássemos as consequências da desatenção para com a nossa consciência e o nosso raciocínio."
______________

FONTE: Jorge Dias, Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor. Lisboa, Ésquilo, 2006.

SUGESTÃO DE LEITURA