Resumo crítico do Workshop ministrado por Ran Lahav
O Aconselhamento Filosófico
contemporâneo assenta, principalmente, na ideia de que a Filosofia
ajuda/orienta à resolução de problemas quotidianos das pessoas, respondendo,
desse modo, às suas necessidades filosóficas. Por conseguinte, muitos conselheiros
filosóficos orientam a sua prática para a resolução de problemas concretos. Por
exemplo: ajudar alguém a escolher uma carreira profissional; ajudar a resolver
problemas de relacionamento amoroso ou superar a solidão. Na perspetiva de Ran
Lahav este modo de conceber a prática filosófica toma de empréstimo a matriz de
trabalho da Psicologia e das Psicoterapias. Para Lahav posicionar a Filosofia
para a satisfação de necessidades é colocá-la como parte do espirito pragmático
atual e, remeter o papel do filósofo ao de um “fornecedor de serviços” que se
adapta para atender às necessidades do cliente. Deste modo, o filósofo é apenas
“mais um” dentro da economia de mercado, ajustando a sua prática às exigências
desse mesmo mercado, bem como às necessidades declaradas pelos clientes. Nada
há de errado, defende Lahav, em querermos melhorar a vida das pessoas; porém,
aquele posicionamento da Filosofia não é o sentido original da Philo-sophia. A
Philo-sophia deve ser a crítica das necessidades percebidas pelas pessoas e não
um “satisfazer de necessidades”. Para Lahav a Philo-sophia não produz soluções,
evoca espanto e questiona tudo o que é “normal”. A intencionalidade profunda do
filosofar radica na busca da “sabedoria” e não na resolução de “pequenos assuntos
da vida quotidiana” de um cliente com vista à sua felicidade e contentamento.
Portanto, o objetivo do filosofar não é “resolver problemas” mas antes
“trazê-los à vida”. A Filosofia “não resolve desconcertos”, melhor: “semeia
desconcertos”. Com efeito, a prática filosófica deve “desenvolver a nossa
auto-compreensão”, “consciencializando as questões básicas com as quais nos
confrontamos na nossa vida”, possibilitando a nossa transformação. Ou seja:
deve ser uma possibilidade para a elevação da vida, colocando-a em diferentes
coordenadas. É este o “amor à sabedoria” que a prática filosófica deve
promover, para que possamos viver, filosoficamente e, nao apenas, pensar
filosoficamente. Ran Lahav mostra através da alegoria da caverna de Platão que
o objetivo da prática filosófica, nao será o de “tornar a vida na caverna mais
confortável”, mas “sair da caverna”. Porém, temos de entender a “nossa caverna”
para “sair dela”. Este é o processo que a prática filosófica deve operar:
“mapear a caverna.” É necessário, segundo Lahav, entender a nossa caverna: o
“perímetro” emocional e racional de atuação na vida. As nossas primeiras
memórias da infância (cerca de 3) influenciam a construção da personalidade e
ajudam a compreender a vida atual, porque elas expressam o “padrão”
constitutivo da nossa “filosofia de vida”. Assim, é preciso contextualizá-las
na história de vida da pessoa e, sabermos, deste modo, como “sair da caverna”.
As nossas memórias representam uma possibilidade de cartografar o caminho com
vista à saída da caverna superficial onde nos encontramos. A “transformação”
não é fácil, porquanto sentimos a resistência que nos impele a devolver-nos ao
“padrão”; uma completa transformação talvez nao seja possível, mas podemos
mudar muitos aspetos, tornando-os mais profundos. Conseguindo aquilo que Lahav
designa por “plenitude” de vida.
Rosa Oliveira
Coordenadora da Página: "A
Consultoria Filosófica em Portugal"
https://www.facebook.com/pages/Consultoria-Filos%C3%B3fica-em-Portugal/267044133471225?ref=ts&fref=ts
Colaboradora do Gabinete PROJECT@
Certificada de Nível 1 (PIFEC) em
Consultoria Filosófica

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