Pode ver AQUI o vídeo da Conferência
“A importância do processo narrativo na
teoria ética contemporânea de Julián
Marías”[1]
Jorge
Humberto Dias[2]
(Ph. D.)
CEFi
- Universidade Católica Portuguesa
INDICE
1- Do
raciovitalismo e do personalismo ao paradigma “felicitário”[1]
2 - Dos paradigmas
à epistemologia[1] da
consultoria filosófica
3 - O lugar metodológico
da narrativa na filosofia original de Julián Marías
4 - Para uma ética
projetiva do “melhor”
5 - Uma agenda
ética para o século XXI
Referências
Bibliográficas
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[1] Sanchéz-Gey, num estudo sobre a escola de Madrid, vem contextualizar este interesse curricular e filosófico da obra de Marías, ao recordar as principais características do pensamento espanhol contemporâneo: “Desde Séneca, passando por Vives e tantos outros, o pensamento espanhol tem como núcleo de reflexão o viver.” (Sanchéz-Gey, 2009, 221) A perspetiva de Manzano faz algum sentido: primeiro, referindo o Diccionario de filosofia de Ferrater Mora, que identifica Julián Marías como o criador da expressão «escola de Madrid», como centro filosófico, motivado pelas teorias de Ortega y Gasset e pela vida como objeto de estudo metafísico. (Manzano, 2003, 30-1) Na sua obra Historia de la filosofía, Marías tem o subcapítulo “6. A escola de Madrid”, o qual é integrante do capítulo “VII. Ortega e a sua filosofia da razão vital”, da parte “Filosofia moderna”, (Marías, 1941, 415) a qual, inclui, também, a época atual.
Em Historia de la filosofia, numa reflexão de 1965, publicada na edição americana, Marías explicita a sua formação, que nos pode ajudar a compreender, precisamente, esse conceito de escola como novo paradigma na filosofia: na disciplina de história da filosofia o docente foi Zubiri, em lógica e estética foi Gaos. Em relação às disciplinas de ética e metafísica vamos referir também os filósofos lecionados, para podermos entender o percurso intelectual de Julián Marías na elaboração da sua teoria vital e personalista sobre a felicidade: o docente de ética foi Morente e os filósofos lecionados foram: Aristóteles, Espinosa, Kant, Mill e Brentano. Na disciplina de metafísica o docente foi Ortega e os filósofos lecionados foram: Descartes, Dilthey e Bergson. Nesta disciplina, as influências são mais evidentes, sobretudo no processo de reflexão sobre a filosofia da vida, como terreno para o florescimento dos paradigmas raciovitalista e personalista. (Marías, 1965, 32) [Dias, 2013, 11-12]
Embora sem validade científica, seria interessante analisarmos o número de páginas que Marías dedica a cada filósofo, no sentido de identificarmos, talvez, a importância histórica dada pelo autor. Vejamos, a título de curiosidade, apenas alguns: Aristóteles (22), Kant (19), Ortega (17), Heidegger (14), Platão (13), Husserl (12), Hegel (12), Descartes (10). [Dias, 2013, 107]
Resumo
Pretende-se contribuir, no âmbito deste projeto de
investigação, com a apresentação crítica da perspetiva de um autor
contemporâneo, que se destacou na área científica da filosofia e que poderemos
enquadrar no atual debate sobre o valor da individualidade narrativa. Julián
Marías (1914-2005), autor de uma bibliografia considerável na área dos estudos
personalistas, apresenta-nos uma visão renovada do paradigma raciovitalista
orteguiano, onde a figura do eu narrativo assume destaque relevante, sobretudo
nas questões de sentido prático, felicidade, projeto, e realização.
Assim,
esperamos contribuir para o enriquecimento da investigação já realizada neste
projeto, propondo e aprofundando o paradigma felicitário de Julián Marías,
enquadrando-o numa linha intermédia de diálogo entre analítico e continental,
herdeira da viragem produzida por Dilthey e assentando-o numa originalidade
fenomenológica e ontológica ainda com muitos conteúdos por explorar e relativa
à tríade: filosofia-vida-felicidade (1987).
Nessa
aplicação, a narratividade pessoal (1953) desenvolve-se como uma dialética
evolutiva de mesmidade (1993) e que permite algum otimismo biográfico, como
construção (1996) educativa (1992), mas que desafia a filosofia a repensar o
seu estatuto epistemológico no âmbito das ciências sociais e humanas,
nomeadamente, com o crescendo mundial da filosofia aplicada, e onde verificamos
que um dos métodos compreensivos é necessariamente narrativo (1947), embora nem
sempre utilizado com as categorias adequadas.
Para Marías, a filosofia terá de efetivar-se como teoria
dramática e responsável (1993), procurando estruturar-se num fundamento
racional, metafísico/vital, que compreende a história como uma narração de si
mesma virada para um horizonte projetivo e de convivência.
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[1] Este artigo foi produzido no âmbito do Colóquio “Poética do eu: escrita e outras construções”, realizado entre 3 e 5 de Março de 2014 na Universidade de Lisboa. A investigação presente neste artigo vem na sequência do trabalho doutoral apresentado em 2013 na Universidade Nova de Lisboa, com o título “O contributo de Julián Marías para uma teoria da filosofia aplicada à questão da felicidade” e que indicaremos na bibliografia final. Neste trabalho, apresentámos uma fundamentação teórica da consultoria filosófica como uma sub-área da filosofia aplicada. Colocaremos as referências originais em parêntesis reto, para que o leitor possa situar mais facilmente o nível da investigação e argumentação. Gostaríamos ainda de agradecer ao Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa a oportunidade de colaborar no Projeto de Investigação “Ética de aconselhamento” (PTDC/FIL/119527/2010), permitindo e enquadrando o estudo que agora apresentamos. No capítulo final, desenvolveremos um pouco mais o estudo de 2013, indicando novas aplicações da teoria de Julián Marías, nomeadamente, na reflexão que temos realizado sobre o Relatório Mundial de Felicidade 2013, promovido pela ONU e publicado pela Sustainable Development Solutions Network.
[2] Membro do Conselho Científico da HASER - Revista Internacional de Filosofia Aplicada; Conferencista convidado na XI International Conference on Philosophical Practice, Kangwon National University; doutorado em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa; foi docente convidado na Universidad de Sevilla e na Universitat de Barcelona; colabora no Grupo de Investigação: «Filosofía Aplicada: Sujeto, Sufrimiento y Sociedad» (Sevilla); investigador auxiliar do CEFi (Universidade Católica Portuguesa), no projeto "Ethics for Counseling"; co-autor do livro Felicidad o Conocimiento?. Colección Universidad. Sevilla: Doss Ediciones; Prefácio do livro Crowley, E. (2010) Upside Down World. American Book Publishing; última entrevista na TV: RTP 1, 21/11/2013. E-mail: gabineteproject@mailworks.org.
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