sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A ÉTICA APLICADA NO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, com 3 ex-Ministros


A convite da professora Maria do Céu Patrão Neves, coordenadora da Coleção de Ética Aplicada e catedrática de Ética na Universidade dos Açores, no dia 13 de setembro estive no Conselho Nacional de Educação (adiante CNE) para assistir ao lançamento inédito de uma obra que relaciona Ética com Educação.

(Painel 1 - constituído pelos coordenadores do livro e pelos representantes institucionais)

A presidente do CNE, Maria Emília Brederote Santos, citou Calvino e Bauman, sobretudo o livro "Amor liquido", para dizer que educamos para nos adaptar e orientar neste mundo efémero. 


O engenheiro Jorge Gabriel, da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, referiu que a coleção está a ter sucesso e que isso é uma boa surpresa, pois a Ética não tem sido discutida muitas vezes, nem com rigor. Agradeceu também às Edições 70 pela coragem editorial.


Susana Ramos, coordenadora das Edições 70, referiu que a ideia é abrir a Filosofia a temas da sociedade. Posto isto, questionou a relação entre a função de professor e de educador, considerando que estão as duas juntas no mesmo profissional.


David Justino, ex-Ministro da Educação e ex-Presidente do CNE, considerou que o CNE é a casa da educação, pois é onde se têm confrontado as diferentes perspetivas, independentemente das diferenças. Referiu que foi difícil ser convencido pela professora Patrão Neves, pois está envolvido em muitos projetos e gosta de dar uma resposta de elevada qualidade. Mas foi a importância do tema que o convenceu. Citou Pierre Nora, para sublinhar a existência de periodos de aceleração da história e referir que a atualidade vive um desses períodos. "O mundo é muito para além das receitas. É do dominio do contingente. O tema é importante porque é essencial saber para onde vamos, de onde vimos e para onde queremos ir." - disse David Justino. Considerou que a sua geração sempre teve muita auto estima, e que talvez isso não tenha facilitado a entrada de pensadores mais novos, mas que é essencial que os jovens apareçam a mostrar o excelente trabalho que estão a realizar. Este livro é um bom exemplo disso.

(Painel 2 - constituído pelos especialistas convidados a iniciar o debate)


Maria da Graça Carvalho, ex-Ministra da Ciência, dividiu o livro em 4 grandes temas: 1. Os valores; 2. A equidade e a inclusão; 3. As relações escola / familia / alunos e professores; e 4. O mercado de trabalho. Desafiada a escolher um tema para debate, escolheu o tema da inclusão social, destacando as desigualdades no salário e nas habilitações académicas. Referiu ainda o problema do abandono escolar (jovens que não estudam, nem trabalham) e dos apoios sociais escassos.


Marçal Grilo, ex-Ministro da Educação, afirmou que o futuro é imprevisível, ou seja, é mais do que incerto, pois não sabemos qual é o cenário que vem a seguir. Foi referido que existem 3 pilares na educação: 1. O conhecimento e a sua aplicação; 2. As atitudes e comportamentos; 3. Os valores. Grilo desconfia muito das pessoas que têm muitas certezas, pois duvidar é essencial à atitude científica. O ex-Ministro considerou que os pais devem ser exemplo e são os responsáveis pela educação dos seus filhos. Nessa linha, os pais deveriam exigir mais aos filhos, ou seja, que cumprissem deveres, ao invés de estarem sempre a olhar para os direitos das crianças. Para Marçal Grilo, o número de doutorados em empresas é um problema. Em Portugal, apenas 5% das empresas têm doutorados, enquanto que na Europa 30% das empresas já têm doutorados. Mas Grilo reconhece que em Portugal mais de 80% das empresas são PME's. Grilo recordou a importância de um "Pacto para a Educação", entre todos os Partidos, e que vigorasse, por exemplo, durante 20 anos, pois é negativo estar sempre a mudar a educação. Grilo referiu ainda que dois diretores de importantes empresas são filósofos. Patrão Neves referiu que é devido à visão holística que têm da realidade. Em Harvard é obrigatório que cada aluno, por semestre, faça duas cadeiras de humanidades - disse Grilo.


Na fase de debate, Santana Castilho defendeu os professores, depois de uma crítica de Susana Ramos, dirigida ao facto dos professores pensarem mais nas suas carreiras e menos nos seus alunos.


Posteriormente, Jorge Humberto Dias questionou a mesa sobre a criação de uma Ordem dos Professores. A professora Maria da Graça Carvalho disse que ainda não tinha pensado no assunto e por isso considerou que era melhor ser o professor Marçal Grilo a comentar. A resposta de Grilo referiu que é essencial valorizar a profissão de professor, assim como a excelência do seu desempenho.

(David Justino, Jorge Humberto Dias e Maria da Graça Carvalho a trocarem ideias sobre a Ordem dos Professores)

(Momento de agradecimentos e despedidas. Ao fundo, o professor Santana Castilho)



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