sábado, 11 de agosto de 2018

UMA FORMA DIFERENTE DE ABORDAR UM NAMORO

Hoje foi dia de ir ao cinema.

Estava em casa, quando fui ao site da UCI El Corte Inglês e vi o trailer do filme "Traições (con)Sentidas". Achei os temas e a abordagem interessantes, fora da caixa…


Ao entrar na sala de cinema, comecei por reparar num pormenor interessante: eu era a pessoa mais nova na sala e a média de idade devia rondar os 60 anos. Ainda pensei que estivesse no seio de uma atividade sénior, mas parece que não. Foi mesmo natural.

O filme conta a história de um casal de namorados, hoje atípico, pois nunca tiveram outros namorados.

O irmão de Anna é homossexual e namora com o colega de Will.

Anna e Will têm uma relação quase perfeita. Não têm problemas, não discutem, nunca mentiram um ao outro, nunca traíram. Ambos têm emprego e Will está a preparar uma casa nova, para onde quer ir morar com Anna depois de casar.

Mas o irmão de Anna, juntamente com o seu namorado, num encontro a 4, faz um desafio a Will e Anna: porque não testam a qualidade da relação antes de casarem? A ideia é que Will e Anna tenham experiências sexuais com outras pessoas, para verem o que sentem. E sobretudo, para poderem comparar…

Curiosamente, Anna e Will têm experiências diferentes. Anna tem uma experiência mais romântica com um "boy band", que lhe dedica uma música e a Anna fica envolvida no ambiente criado. Will tem uma experiência com uma mulher mais velha, que gosta de aumentar o grau de loucura sexual, através do consumo de drogas.

Todos os dias, depois de cada experiência, Anna e Will encontram-se em casa e trocam ideias. Por vezes revelam ciúme, curiosidade sobre as características das outras pessoas e pelos sentimentos que a experiência provocou…

No final, o músico pressiona Anna a namorar com ele, mas Anna vai embora, dizendo que aquilo foi apenas uma experiência sexual. Will também vai a casa de Lydia e oferece-lhe flores como forma de despedida.

Mesmo a terminar, e quando pensávamos que Will e Anna iam casar e viver na casa nova, eis que o realizador nos surpreende com a rejeição de Ana…

Vim para casa a pensar em várias questões filosóficas:

- De acordo com um Estudo que li hoje, as pessoas inteligentes não casam. Pergunta: porquê? Talvez porque considerem que não seja necessário assinar qualquer papel para ter um conexão de amor.

- Se o casal sentiu necessidade de ter experiências sexuais com outras pessoas, é porque algo não estaria completo na sua relação?

- O casal decidiu ter uma experiências, mas a verdade é que as outras pessoas com quem se envolveram não são "objetos". E como pessoas, poderiam, naturalmente, despertar o amor em Anna e Will… O corpo, os sentimentos e a vida pessoal não parecem ser controláveis com um comando à distância, como se se tratasse de um ensaio de laboratório.

- Will pensou que depois da experiência, Anna seria sua e a relação voltaria ao normal. Será que a "posse" se pode aplicar ao ser humano?

- O que poderíamos entender por fidelidade no amor? Fará sentido falar em tipos diferentes de fidelidade? E será que a infidelidade implica menos amor?

- Será que uma traição consentida, deixa de ser traição? Ou será que o conceito de traição não tem sentido nas relações humanas?

- Por fim, sugiro um livro que conheci através da minha colega e amiga Marisa Cruz. "The state of affairs", de Esther Perel. Ao ler este livro, ficamos com a ideia de que uma relação terá muitas dificuldades em sobreviver, caso tenha sido originada por uma traição, envolvendo outras pessoas, de relação anterior.

Boas reflexões e bons debates!

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