quinta-feira, 31 de maio de 2018

Fui ao "Happy Show" no MAAT, em Lisboa

Ía com alguma expetativa. E por várias razões: por um lado, porque o número de trabalhos sobre a felicidade aumentou vertiginosamente em todo o mundo; por outro lado, porque a ideia parecia-me original.

Ao chegar ao MAAT, deparei-me com obras na estrada. O GPS dizia para eu virar para a esquerda, mas não foi possível. Mais 500 metros e consegui passar para o outro lado da estrada. Estacionamento completamente cheio. Tive de andar 2 kilómetros para conseguir um lugar.



Bilheteira à vista, uma fila enorme. A senhora que me acolheu, disse que era por causa do feriado.

Ia preparado para pagar 9 euros, ou algo próximo, eis quando o senhor me disse que os professores não pagavam. Há muito tempo que não me sentia tão importante no papel de professor… (private joke) :-)



Já dentro do MAAT, outra fila para o Happy Show. As restantes exposições de arte contemporânea estavam (quase) vazias.

Logo à entrada, a frase de 500 milhões…



Mas mesmo assim, não perdi a esperança. Sentia-me confiante… que estaria perante uma obra de empreendedorismo artístico e baseado em estudos sobre a felicidade.

E foi mesmo isso que encontrei! O artista fez um trabalho de casa brilhante. Recolheu informação pertinente, de vários investigadores da área da felicidade e desenvolveu a sua arte… Daniel Gilbert é um dos mais utilizados. Sónja Lyubomirsky, Jonathan Haidt, Abraham Maslow, etc.

Logo no início, oferecem-nos um livro com o resumo do show.



A 1ª experiência no show é retirar um cartão da sorte, que nos pede o primeiro treino mental. Sabe o que me calhou?


Numa das paredes encontramos a famosa fórmula da felicidade de Sónja Lyubomirsky:

F = G + A + CV       G (50%)   A (40%)   CV (10%)

F - Felicidade; G - Genética; A - Atividades; CV - Condições de Vida.

Andei de bicicleta, vi vários vídeos, fiz o desenho de um animal feliz.

Happy Show é interativo e com investimento grande no formato vídeo. Aconselho vivamente a ver o Happy Movie. É um vídeo de 12 minutos sobre o treino mental com o objetivo de ser uma melhor pessoa e mais feliz. Baseado na utilidade do treino físico, que claramente melhora os resultados numa determinada área… Veja AQUI o trailer.

Nessa mesma sala estava um outro vídeo que também gostei bastante: falava da coragem e da importância de sermos nós próprios. Se queremos muito uma coisa, devemos dar o primeiro passo e arriscar…

Noutra parede, vi uma alusão ao salário ideal.



Fez-me lembrar o famoso Paradoxo de Easterlin, que nos demonstrou que os mais felizes são aqueles que pertencem à classe média, pois a classe pobre e a classe rica estão, por razões diferentes, fora do impacto do dinheiro na nossa vida. Os muito pobres são infelizes porque não têm dinheiro. Os muito ricos, não diríamos que são infelizes, mas que não são mais felizes que as pessoas da classe média, pois a partir de um determinado valor de salário, a felicidade já não aumenta mais…

Quase no final, uma referência para quem é mais feliz: os casais sem filhos em 1º lugar; em 5º lugar, os casais com filhos a viver fora de casa e em 7º e último lugar os casais em que um dos membros já tem uma doença terminal.

Os Relatórios Mundiais de Felicidade são abordados mesmo à saída do show: os artistas dizer que Helsínquia é uma das cidades mais felizes do mundo (segundo os Relatórios), mas quando lá estiveram não sentiram que as pessoas fossem muitos felizes. Consideraram os brasileiros muito mais felizes. Será? Teríamos de analisar melhor a definição de felicidade em causa… :-)

Saiba AQUI mais sobre o trabalho destes dois artistas: Stefan e Jessica.

"Qual é a sua filosofia criativa?

Estou interessada em criar um trabalho emocionalmente envolvente e orientado por conceitos, que é incorporado em formas belas. Eu sempre tento abordar o processo de forma lúdica, com sentido de humor. Eu quero que as pessoas que vêem o meu trabalho experimentem ou sintam algo, quer as faça pensar, lhes dê alegria, ou lhes ofereça inspiração. Eu pretendo criar um trabalho funcional que atinja os objetivos dos nossos clientes. (Jessica)"
Autor: Jorge Humberto Dias.
Enviar um comentário