quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

DEBATE SOBRE "ESTRATÉGIAS PARA A FELICIDADE" NA ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL (RELATÓRIO)





Ontem, estiveram na Associação 25 de Abril dois colaboradores do Gabinete PROJECT@, a saber, Jorge Humberto Dias e Vítor Nobre José.
A sala estava cheia e a participação foi elevada. Estava presente um grande interesse pelo tema. A maioria das pessoas tinha um interesse mais pessoal no tema, mas alguns dos presentes tinham um interesse mais profissional.
Mas comecemos pelo início. Elza Pais (presidente do departamento nacional de mulheres socialistas) abriu o debate, fazendo um intervenção desafiadora. Começou por dizer que a Dinamarca é um exemplo a seguir, enquanto que Portugal está na segunda metade do Ranking Mundial de Felicidade. Perguntou se haveria alguma relação entre o dinheiro e a felicidade. Afirmou, em tom de insatisfação, que a felicidade não é referida na Constituição da República Portuguesa.
Posto isto, a palavra foi passada a Raquel Freire (artista e moderadora do debate). A suas questões para os oradores foram bastante pertinentes: será a felicidade um valor absoluto? Quais os fatores que mais contribuem para a felicidade? Haverá um condicionamento genético na felicidade?
A primeira oradora foi Sandra Correia, que afirmou perentoriamente que a felicidade vem do interior das pessoas, e por isso é comparável ao amor: "não se vêem, sentem-se, respiram-se."
O segundo orador foi Rui Brites, que definiu a felicidade como um "bem-estar subjetivo" (perspetiva sociológica), que exige duas dimensões: querer e poder. De seguida, citou dois filósofos: Rousseau e Aristóteles. De seguida, recordou que existem 68 indicadores para avaliar o grau de felicidade de uma pessoa, sublinhando a sua complexidade e seriedade. Recordou a plateia que há 2 anos foi publicado o Ranking Mundial de Felicidade da ONU. Neste tópico, Rui Brites foi bastante crítico em relação à metodologia da Gall Up, que recorre a sondagens telefónicas. Para o orador, existem questões culturais que limitam bastante a comparabilidade entre os graus de felicidade nos diferentes países. Para Rui Brites, a felicidade é estrutural, enquanto que a satisfação é conjuntural. Por fim, recordou o paradoxo de Easterlin, para dizer que os mais ricos não são os mais felizes.
Finalmente, o terceiro e último orador: Luis Nazaré. Começou por referir que a palavra "estratégia" não era para si adequada ao tema da felicidade, devido ao facto de pertencer ao âmbito militar. A sua preferência vai para a palavra "rota", por se basear no fazer aquilo que se quer, tendo como base a paixão e o talento (que podem não estar presentes ao mesmo tempo).
Posto isto, iniciou-se o debate com várias intervenções do público. De salientar, o interesse de alguns dos presentes pelas estratégias que o(s) governo(s) deveria implementar no sentido de promover a felicidade dos cidadãos.
A oradora Sandra Correia referiu que o caminho para a felicidade é a partilha. A assistência reagiu com uma salva de palmas. Rui Brites recordou o interesse de Marx pela distribuição da riqueza. Luís Nazaré recordou que aniquilar as expetativas é um grande ataque à felicidade.

Lisboa, 18 de janeiro de 2018.
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