domingo, 21 de janeiro de 2018

COMENTÁRIO PARA A WOOK SOBRE O LIVRO "101 EXPERIÊNCIAS DE FILOSOFIA QUOTIDIANA"


A Porto Editora convidou-me para escrever uma crítica ao livro "101 Experiências de Filosofia Quotidiana", de Roger Pol-Droit.


"Praticar a filosofia"


Algumas pessoas dizem que a filosofia sempre foi prática. Outros dizem que a prática filosófica é um movimento recente, que se iniciou nos anos 80 do século passado, como Gerd Achenbach, que abriu, pela primeira vez, um consultório de aconselhamento filosófico na cidade de Colónia (Alemanha).
A verdade é que a profissão de filósofo começou a ser relacionada com outras funções para além de professor: consultor, dinamizador de cafés filosóficos, facilitador de filosofia com crianças, formador de workshops sobre temas filosóficos, etc.
Roger-Pol Droit é um dos autores de referência neste movimento da prática filosófica. E por várias razões. Teve um papel muito importante na UNESCO, como consultor. E os seus livros também tiveram diferentes contributos.
Neste livro sobre experiências filosóficas, o autor veio sublinhar a importância da prática, sendo inovador com a sugestão de 101 exercícios filosóficos, que o/a leitor/a poderá fazer no quotidiano da sua vida. É a importância de ir mais além da reflexão e da teoria, ou seja, de concretizar vitalmente uma determinada ideia, senti-la...
Por fim, talvez falte acrescentar algo ao livro: eu sugeria que estas experiências fossem realizadas a 2 ou a 3 e depois houvesse um pequeno (ou grande) diálogo sobre as vivências... Acredito que desta forma se possa viver melhor na gestão dos problemas filosóficos das nossas vidas.


Fonte: Wook

A FELICIDADE É UM PROBLEMA (cap. 2), de Mark Manson

Comprei o livro ontem à noite na FNAC do Chiado. Para oferta e por sugestão de alguém que ia comigo...



... mas hoje o livro está na minha secretária. Pediram a minha opinião sobre o capítulo 2. Porque será? Fui ver...


Pois! Tinha de ser a felicidade. É um problema? Veremos qual é a abordagem contraintuitiva do autor. [ A LER...]

Mark Manson é claramente um pragmático, ou não fosse americano. A felicidade é saber resolver problemas. No entanto, não é um pragmático utilitarista, apenas interessado no resultado, mas um pragmático construtivista, ou seja, muito mais interessado no processo. Esta é mais ou menos a visão ocidental da questão. Mas se quisermos ir até ao Oriente, Mark inspirou-se em Buda e na ideia de aceitar o sofrimento como uma experiência de vida pela qual temos de passar, viver por dentro e, depois, resolver.

Manson aconselha os leitores a construírem a sua própria filosofia (pág. 31), a descobrirem o seu caminho, a terem uma causa porque lutar, como diria Peter Singer.

Para Manson, a felicidade não é algorítmica, ou seja, o ponto de partida é o sofrimento, enquanto base real da vida. O desafio de cada pessoa é saber resolver esse sofrimento. A felicidade está precisamente nesse processo de resolução, sendo o resultado uma espécie de prémio. No entanto, mais tarde, virão novos sofrimentos.

Manson mistura filosofia (a felicidade como resolução de problemas) com biologia (o sofrimento como uma necessidade) e ficção (o panda como o mensageiro da verdade de cada um).

Manson considera que é o sofrimento que permite à pessoa evoluir, agir, encontrar respostas, a evitar cometer os mesmos erros. "Estamos programados para nos tornar-mos insatisfeitos." (pág. 33) Cabe a cada um escolher o caminho que quer fazer.

Os principais erros das pessoas - diz Manson - são a "negação" e a "vitimização", que funcionam como drogas que viciam a maioria e as impede de ser feliz. A negação leva à repressão emocional e a vitimização leva ao desespero.

Manson critica assim a autoajuda e aponta para a vocação pessoal, que se empenho no processo e no resultado.

No final do capítulo, fiquei com um dúvida: devemos ou não focar na felicidade como um objetivo da nossa vida? Por um lado, Manson diz que sim, que devemos lutar, mas por outro diz-nos que podemos fizer mais insatisfeitos...

Boa leitura!

Jorge Humberto Dias

21 de janeiro de 2018.




quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

2ª AÇÃO DE CURTA DURAÇÃO "Perspetivas sobre a Felicidade" na Universidade do Algarve


Data: 12 de fevereiro de 2018.

Horário: 10h - 13h.

Local: Universidade do Algarve, Campus de Gambelas (Faro).

Ação de Formação de Curta Duração certificada pelo Centro de Formação da Ria Formosa (Faro).



Limite de inscrições: 32.


Preencha AQUI o Formulário de Inscrição.

Divulgação no Facebook AQUI.

Este projeto de investigação foi desenvolvido ao longo de 2015, 2016 e 2017. Foi financiado pela Fundação Oriente e pelo Plano Nacional de Leitura. Envolveu alunos da Escola Secundária de Vila Real de Santo António e permitiu a interação com investigadores do Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, que se deslocaram ao Algarve para partilhar o seu trabalho de investigação.
Os alunos, uma turma de 11º ano de filosofia, deslocaram-se à Fundação Oriente, em Lisboa, para uma visita de estudo sobre a Coreia do Sul, o Japão, a China e Macau. Os alunos tiveram ainda a oportunidade de visitar a "Fábrica da Felicidade", em Azeitão e propriedade da Coca-Cola.
A biblioteca escolar adquiriu vários tablets e um número significativo de livros sobre a felicidade, e por indicação do Doutor Jorge Humberto Dias.
Os alunos traduziram, com a ajuda da professora de inglês, um artigo de Bernard Li sobre "Aplicação e prática da teoria CISA", publicado no jornal da Kangwon National University (Coreia do Sul).
Posteriormente, ensaiaram uma comparação com o artigo de Jorge Humberto Dias sobre a felicidade e o método PROJECT@, também publicado no mesmo jornal: Journal of Humanities Therapy.
Já em 2017, e numa parceria com o Gabinete PROJECT@, foram publicados os resultados, numa edição intitulada "Perspetivas sobre a Felicidade".

São estes resultados que irão ser partilhados nesta Ação de Curta Duração e para a qual se poderão inscrever todos os interessados no tema. Veja por favor o Programa no cartaz em cima.

Também iremos fazer uma abordagem ao futuro deste projeto de investigação.

Mais informações: jhdias@ualg.pt 

DEBATE SOBRE "ESTRATÉGIAS PARA A FELICIDADE" NA ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL (RELATÓRIO)





Ontem, estiveram na Associação 25 de Abril dois colaboradores do Gabinete PROJECT@, a saber, Jorge Humberto Dias e Vítor Nobre José.
A sala estava cheia e a participação foi elevada. Estava presente um grande interesse pelo tema. A maioria das pessoas tinha um interesse mais pessoal no tema, mas alguns dos presentes tinham um interesse mais profissional.
Mas comecemos pelo início. Elza Pais (presidente do departamento nacional de mulheres socialistas) abriu o debate, fazendo um intervenção desafiadora. Começou por dizer que a Dinamarca é um exemplo a seguir, enquanto que Portugal está na segunda metade do Ranking Mundial de Felicidade. Perguntou se haveria alguma relação entre o dinheiro e a felicidade. Afirmou, em tom de insatisfação, que a felicidade não é referida na Constituição da República Portuguesa.
Posto isto, a palavra foi passada a Raquel Freire (artista e moderadora do debate). A suas questões para os oradores foram bastante pertinentes: será a felicidade um valor absoluto? Quais os fatores que mais contribuem para a felicidade? Haverá um condicionamento genético na felicidade?
A primeira oradora foi Sandra Correia, que afirmou perentoriamente que a felicidade vem do interior das pessoas, e por isso é comparável ao amor: "não se vêem, sentem-se, respiram-se."
O segundo orador foi Rui Brites, que definiu a felicidade como um "bem-estar subjetivo" (perspetiva sociológica), que exige duas dimensões: querer e poder. De seguida, citou dois filósofos: Rousseau e Aristóteles. De seguida, recordou que existem 68 indicadores para avaliar o grau de felicidade de uma pessoa, sublinhando a sua complexidade e seriedade. Recordou a plateia que há 2 anos foi publicado o Ranking Mundial de Felicidade da ONU. Neste tópico, Rui Brites foi bastante crítico em relação à metodologia da Gall Up, que recorre a sondagens telefónicas. Para o orador, existem questões culturais que limitam bastante a comparabilidade entre os graus de felicidade nos diferentes países. Para Rui Brites, a felicidade é estrutural, enquanto que a satisfação é conjuntural. Por fim, recordou o paradoxo de Easterlin, para dizer que os mais ricos não são os mais felizes.
Finalmente, o terceiro e último orador: Luis Nazaré. Começou por referir que a palavra "estratégia" não era para si adequada ao tema da felicidade, devido ao facto de pertencer ao âmbito militar. A sua preferência vai para a palavra "rota", por se basear no fazer aquilo que se quer, tendo como base a paixão e o talento (que podem não estar presentes ao mesmo tempo).
Posto isto, iniciou-se o debate com várias intervenções do público. De salientar, o interesse de alguns dos presentes pelas estratégias que o(s) governo(s) deveria implementar no sentido de promover a felicidade dos cidadãos.
A oradora Sandra Correia referiu que o caminho para a felicidade é a partilha. A assistência reagiu com uma salva de palmas. Rui Brites recordou o interesse de Marx pela distribuição da riqueza. Luís Nazaré recordou que aniquilar as expetativas é um grande ataque à felicidade.

Lisboa, 18 de janeiro de 2018.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

AÇÃO DE CURTA DURAÇÃO "Perspetivas sobre a Felicidade" na UCP


Data: 6 de janeiro de 2018.

Horário: 15h - 18h.

Local: Universidade Católica Portuguesa, Campus Palma de Cima (Lisboa).

Ação de Formação de Curta Duração certificada pelo Centro de Formação de Escolas António Sérgio (Lisboa).

Se for docente, preencha AQUI o Formulário de Inscrição.

Se não for docente, preencha AQUI o Formulário de Inscrição.

Divulgação no Facebook AQUI.

Este projeto de investigação foi desenvolvido ao longo de 2015, 2016 e 2017. Foi financiado pela Fundação Oriente e pelo Plano Nacional de Leitura. Envolveu alunos da Escola Secundária de Vila Real de Santo António e permitiu a interação com investigadores do Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, que se deslocaram ao Algarve para partilhar o seu trabalho de investigação.
Os alunos, uma turma de 11º ano de filosofia, deslocaram-se à Fundação Oriente, em Lisboa, para uma visita de estudo sobre a Coreia do Sul, o Japão, a China e Macau. Os alunos tiveram ainda a oportunidade de visitar a "Fábrica da Felicidade", em Azeitão e propriedade da Coca-Cola.
A biblioteca escolar adquiriu vários tablets e um número significativo de livros sobre a felicidade, e por indicação do Doutor Jorge Humberto Dias.
Os alunos traduziram, com a ajuda da professora de inglês, um artigo de Bernard Li sobre "Aplicação e prática da teoria CISA", publicado no jornal da Kangwon National University (Coreia do Sul).
Posteriormente, ensaiaram uma comparação com o artigo de Jorge Humberto Dias sobre a felicidade e o método PROJECT@, também publicado no mesmo jornal: Journal of Humanities Therapy.
Já em 2017, e numa parceria com o Gabinete PROJECT@, foram publicados os resultados, numa edição intitulada "Perspetivas sobre a Felicidade".

São estes resultados que irão ser partilhados nesta Ação de Curta Duração e para a qual se poderão inscrever todos os interessados no tema. Veja por favor o Programa no cartaz em cima.

Também iremos fazer uma abordagem ao futuro deste projeto de investigação.

Mais informações: jorgedias@fch.lisboa.ucp.pt