terça-feira, 6 de maio de 2014

"A TEORIA DE RAN LAHAV PARA O ACONSELHAMENTO FILOSÓFICO", por Rosa Oliveira


Resumo crítico do Workshop ministrado por Ran Lahav


O Aconselhamento Filosófico contemporâneo assenta, principalmente, na ideia de que a Filosofia ajuda/orienta à resolução de problemas quotidianos das pessoas, respondendo, desse modo, às suas necessidades filosóficas. Por conseguinte, muitos conselheiros filosóficos orientam a sua prática para a resolução de problemas concretos. Por exemplo: ajudar alguém a escolher uma carreira profissional; ajudar a resolver problemas de relacionamento amoroso ou superar a solidão. Na perspetiva de Ran Lahav este modo de conceber a prática filosófica toma de empréstimo a matriz de trabalho da Psicologia e das Psicoterapias. Para Lahav posicionar a Filosofia para a satisfação de necessidades é colocá-la como parte do espirito pragmático atual e, remeter o papel do filósofo ao de um “fornecedor de serviços” que se adapta para atender às necessidades do cliente. Deste modo, o filósofo é apenas “mais um” dentro da economia de mercado, ajustando a sua prática às exigências desse mesmo mercado, bem como às necessidades declaradas pelos clientes. Nada há de errado, defende Lahav, em querermos melhorar a vida das pessoas; porém, aquele posicionamento da Filosofia não é o sentido original da Philo-sophia. A Philo-sophia deve ser a crítica das necessidades percebidas pelas pessoas e não um “satisfazer de necessidades”. Para Lahav a Philo-sophia não produz soluções, evoca espanto e questiona tudo o que é “normal”. A intencionalidade profunda do filosofar radica na busca da “sabedoria” e não na resolução de “pequenos assuntos da vida quotidiana” de um cliente com vista à sua felicidade e contentamento. Portanto, o objetivo do filosofar não é “resolver problemas” mas antes “trazê-los à vida”. A Filosofia “não resolve desconcertos”, melhor: “semeia desconcertos”. Com efeito, a prática filosófica deve “desenvolver a nossa auto-compreensão”, “consciencializando as questões básicas com as quais nos confrontamos na nossa vida”, possibilitando a nossa transformação. Ou seja: deve ser uma possibilidade para a elevação da vida, colocando-a em diferentes coordenadas. É este o “amor à sabedoria” que a prática filosófica deve promover, para que possamos viver, filosoficamente e, nao apenas, pensar filosoficamente. Ran Lahav mostra através da alegoria da caverna de Platão que o objetivo da prática filosófica, nao será o de “tornar a vida na caverna mais confortável”, mas “sair da caverna”. Porém, temos de entender a “nossa caverna” para “sair dela”. Este é o processo que a prática filosófica deve operar: “mapear a caverna.” É necessário, segundo Lahav, entender a nossa caverna: o “perímetro” emocional e racional de atuação na vida. As nossas primeiras memórias da infância (cerca de 3) influenciam a construção da personalidade e ajudam a compreender a vida atual, porque elas expressam o “padrão” constitutivo da nossa “filosofia de vida”. Assim, é preciso contextualizá-las na história de vida da pessoa e, sabermos, deste modo, como “sair da caverna”. As nossas memórias representam uma possibilidade de cartografar o caminho com vista à saída da caverna superficial onde nos encontramos. A “transformação” não é fácil, porquanto sentimos a resistência que nos impele a devolver-nos ao “padrão”; uma completa transformação talvez nao seja possível, mas podemos mudar muitos aspetos, tornando-os mais profundos. Conseguindo aquilo que Lahav designa por “plenitude” de vida.

Rosa Oliveira
Coordenadora da Página: "A Consultoria Filosófica em Portugal"

https://www.facebook.com/pages/Consultoria-Filos%C3%B3fica-em-Portugal/267044133471225?ref=ts&fref=ts

Colaboradora do Gabinete PROJECT@
Certificada de Nível 1 (PIFEC) em Consultoria Filosófica


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