sexta-feira, 29 de novembro de 2013

RECENSÃO DE JORGE HUMBERTO DIAS AO RELATÓRIO MUNDIAL DE FELICIDADE (NAÇÕES UNIDAS, 2013)


Desde já, gostaria de dizer que este documento vai assumir-se, muito em breve, como um dos mais importantes do mundo. O ranking de países que é apresentado revela, de modo não muito claro ainda, que a felicidade é o sentido maior da existência humana e que os governos devem orientar as suas políticas para a felicidade dos seus cidadãos.

Mais do que os critérios utilizados para avaliar os países, é pertinente verificar a elevada importância da dimensão filosófica da felicidade, que, segundo os editores do Relatório, é mais evidente ao nível metodológico. Por essa razão, o capítulo 5 é dedicado à Ética da Virtude, onde as principais referências filosóficas são:
- Aristóteles; Bentham; Hobbes; MacIntyre; Mill; Putnam; Smith.

A infelicidade é o problema mundial a abater. Assim, as causas apresentadas são: a pobreza, o desemprego, a rutura familiar e a doença mental. Posto isto, e tendo em conta a definição de "doença mental" apresentada por Peter Raabe (Fraser Valley University - Canadá), podemos refletir sobre a importância que a filosofia aplicada poderá ter na análise e intervenção sobre este problema.
É neste âmbito que podemos recordar a definição clássica de felicidade, em que para a economia a pessoa mais feliz era aquela que tinha um emprego bem remunerado, mesmo que para isso tivesse de viver sozinho, progredindo na sua carreira de modo mais ou menos egoísta e sem grande projetos pessoais. Atualmente, a nova teoria da felicidade afirma, precisamente, algo bastante diferente: a pessoa mais feliz é aquela que tem um salário médio, não necessariamente elevado, mas suficiente para satisfazer as suas necessidades felicitárias, com principal destaque para a família e para os projetos pessoais.

Alguns dados relevantes deste Relatório são:

- a China (93º lugar) é mais infeliz que Portugal (85º lugar);

- o país mais feliz do mundo é a Dinamarca; em 2º lugar está a Noruega, 3ª Suiça, 4º Holanda, 5ª Suécia, 6º Canadá;

- Israel em 11º lugar também nos deve fazer pensar;

- a Costa Rica em 12º lugar não surpreende muito, se tivermos em conta que já Julián Marías (filósofo espanhol), em 1987, havia considerado este país como um dos mais felizes do mundo, numa perspetiva filosófica;

- a Irlanda em 18º também surpreende e permite sustentar o Princípio de que felicidade e dinheiro não estão tão ligados assim, tal como muitas pessoas defendem (Paradoxo de Easterlin - 1970). Mais do que PIB, interessa trabalhar o FIB (Felicidade Interna Bruta);

- a Alemanha em 26º, atrás da Irlanda, que está em 18º;

- o Togo é o país mais infeliz do mundo, ocupando o último lugar do Relatório (156º);

O Relatório Mundial de Felicidade 2013 foi editado por:

- John Helliwell (Vancouver School of Economics, University of British Columbia, and the Canadian Institute for Advanced Research [cIFAr]);
- Richard Layard (director, Well-Being Programme, Centre for Economic Performance, London School of Economics);
- Jeffrey Sachs (director, the Earth Institute, Columbia University).

Outros colaboradores:

- Shun Wang (Korea Development Institute (Kdi) School of Public Policy and Management);
- Dan Chisholm (Department of Mental Health and Substance Abuse, World Health Organization, Geneva, Switzerland);
- Vikram Patel (Professor of International Mental Health and Wellcome Trust Senior Research Fellow in Clinical Science, Centre for Global Mental Health, London School of Hygiene and Tropical Medicine; Sangath, India and the Centre for Mental Health, Public Health Foundation of India
- Shekhar Saxena (Department of Mental Health and Substance Abuse, World Health Organization, Geneva, Switzerland);
- Jan-Emmanuel De Neve (University College London and Centre for Economic Performance (lSE));
- Ed Diener (University of Illinois and The Gallup Organization);
- Louis Tay (Purdue University);
- Cody Xuereb (Centre for Economic Performance (lSE));
- Gus O’Donnell (Former cabinet secretary and Head of the Civil Service);
- Martine Durand (OCDE);
- Conal Smith (OCDE);
- Jon Hall (Human Development Report Office, UNDP)

O Índice é:

1. Introdução;
2. Felicidade mundial: Tendências, explicações e distribuição;
3. Doença mental e Infelicidade;
4. As vantagens objetivas do Bem-estar subjetivo;
5. Restaurar a Ética da virtude na Procura da Felicidade;
6. Usar o Bem-estar como um guia para a Política;
7. A abordagem da OCDE para medir o Bem-estar subjetivo;
8. Das capacidades ao contentamento: testando ligações entre o Desenvolvimento humano e a satisfação vital.

Pode ter acesso ao Relatório AQUI

[O Relatório Mundial da Felicidade foi escrito por um grupo de peritos independentes. As opiniões expressas no Relatório não refletem necessariamente os pontos de vista das Nações Unidas.]

Em breve, publicaremos aqui mais reflexões sobre o documento.

29.11.2013.

Jorge Humberto Dias
(Diretor do Gabinete PROJECT@ - Consultoria Filosófica - Portugal)


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