segunda-feira, 16 de abril de 2012

RESUMO DA CONFERÊNCIA «A FELICIDADE É BRANCA», por Carla Araújo



Os rescaldos de uma Conferência produtiva

Podemos dizer que se a Felicidade tivesse uma cor, ela podia ser branca, na medida em que o branco é o ponto de partida para a as outras cores. Se associar o meu pensamento à simbologia da cor, hoje a minha felicidade pode ser laranja, amanhã posso sentir que a minha felicidade é verde e de hora em hora posso percorrer as cores do arco-íris. Mas será a felicidade um estado permanente, ou somente marcada por momentos finitos e cíclicos? Será uma emoção, ou algo que se enraíza em nós e que está sempre lá, permitindo-nos  ter de vez em quando momentos infelizes?
Para Carlos Drummond de Andradeser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”. Isto implicaria que se escolhe SER, neste caso, feliz e que a felicidade é verdadeiramente uma espécie de casa onde se vive. Não preciso de motivos para me sentir feliz, sou-o porque o escolhi, assim como quem escolhe uma profissão. Podem é acontecer situações menos agradáveis que me deixam triste, mas esses fragmentos é que se dissipam, não a minha felicidade.
Em que medida podemos educar os nossos jovens para a Felicidade? O Dr. Jorge Humberto Dias, filósofo, consultor ético e investigador na linha da Filosofia política e ética, defende “a felicidade como projeto de vida”. O importante é ter projetos e quantos mais, melhor, pois mais possibilidades ou condições teremos para alcançar a nossa felicidade. A filosofia ajuda-nos nesse processo, de projetar para a vida, com coerência. Eu devo ter uma atitude preventiva, devo pensar antes das coisas acontecerem. Nesta medida, há que ensinar os jovens a projetar, para que com a soma da realização pessoal e de emoções agradáveis eu possa aceder ao caminho da minha felicidade.
François Sagan dizia: “A felicidade para mim consiste em gozar de boa saúde, em dormir sem medo e acordar sem angústia”. A enfermeira e investigadora em Sexualidade Humana, Ana Barroso, ao aliar a saúde à felicidade, transmitiu que “nós somos responsáveis no processo da nossa felicidade”. Ao abordar conteúdos no âmbito da Educação Sexual focou a importância da consciencialização dos jovens para atitudes responsáveis, de autoconfiança e respeito. Se eu for física, social e mentalmente saudável, então serei uma pessoa feliz. Como conseguir sê-lo? Com uma atitude preventiva. Mais uma vez, o pensar antes de agir. Eu faço as minhas escolhas, mas devo fazê-las de modo consciente.
A Felicidade começa em mim, eu sou o ponto de partida. Eu escolho se quero ser feliz. A felicidade é uma escolha.” Saem estas palavras diretamente do discurso do autor do livro “Onde está o Branco em ti?”, Ricardo Antunes. Um livro em que se assiste ao desabrochar de personalidades díspares na mesma faixa etária. Jovens que se encontram na encruzilhada da vida e procuram um sentido para a mesma. Como vemos a vida, as pessoas, o mundo? Em que medida podemos mudar o meio social em que nos inserimos? Onde termina a minha liberdade e começa a do outro? “Só podia encontrar a felicidade se conseguisse subverter o mundo para o fazer entrar no verdadeiro, no puro, no imutável." (Franz Kafka) No fundo, através do olhar de um grupo de jovens adolescentes, o que Ricardo Antunes nos transmite nas linhas do seu romance, é a vontade viva que cada pessoa tem, em determinada altura da sua vida, de melhorar o mundo e a vida, procurar-lhe um sentido, transformar as mentes, encontrar um caminho para a felicidade. O branco pode ser o que há de mais puro ou imutável dentro de nós, pode representar a paz localizada nos nossos corações, a folha de um papel por preencher…
Terminou assim um encontro em que se falou de felicidade, nas mais variadas perspetivas, o que em tempos como os que vivemos, em que basta o simples gesto de ligar a televisão para ouvirmos falar em palavras nefastas como “crise”, “conflito”, “insatisfação”, “desemprego” e tantas outras, é uma verdadeira lufada de ar fresco, uma motivação para dar a volta por cima e tentar encarar a vida com positividade.
A Felicidade é um arco-íris. Tem potencial, é mágica, existe, é palpável.

Curiosidade: Como nasceu a ideia de uma Conferência sobre a felicidade?

Na verdade, tudo começou nas férias de verão. Tenho um hábito que cultivo nas férias grandes, que é o de entrar numa livraria e escolher ao acaso um livro que me pareça indicado para recomendar aos meus alunos como leitura recreativa, motivação para o ato de ler. Ora, este ano calhou um livro com uma capa apelativa, um título sugestivo, uma linguagem acessível ao público-alvo, um enredo interessante, uma história que pode ser a de qualquer jovem dos dias de hoje, que aborda temáticas tão variadas, de áreas distintas como são as da Filosofia, da Biologia e da Literatura.
O resultado foi muito além desta conferência e está no coração, na mente e no contributo para o processo de aprendizagem de cada aluno.

Carla Araújo (Professora organizadora e moderadora do evento)
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