sábado, 16 de janeiro de 2010

ENTREVISTA DE JORGE DIAS EM SÃO PAULO (BRASIL)


1. Ariana Pereira (Jornalista)- Dr. Jorge Dias, o que seria terapia filosófica?

1. Jorge Humberto Dias: Desde que participei na fundação da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico, em 2004, que essa questão tem sido amplamente discutida, não apenas em Portugal, mas sobretudo nos congressos internacionais de prática filosófica. Por exemplo, este ano, em Carloforte (Itália), o IX Congresso Internacional discutiu o tema do «Aconselhamento Filosófico e da Vida Filosófica». Nos diversos Fóruns realizados, pudemos constatar a existência de duas posições essenciais: os consultores filosóficos que não consideram a Filosofia uma terapia e os consultores filosóficos que consideram a Filosofia uma terapia.
A palavra «terapia» aponta para uma intervenção técnica necessária, no âmbito de uma mudança no paciente, que sofre de uma doença (física ou mental). O processo terapêutico envolve assim um objectivo de mudança no paciente, que recorre ao «terapeuta» (seja Fisioterapeuta, seja Psicoterapeuta) para curar a sua doença e diminuir a sua dor/problema.
Para mim, a Consultoria Filosófica Individual não é uma terapia (pelo menos por enquanto), pois não conheço estudos científicos que tenham identificado doenças filosóficas, assim como as respectivas terapêuticas (universalizáveis).
Por esta razão, prefiro utilizar outra linguagem: em vez de «terapia», utilizo «consulta»; em vez de «paciente», utilizo «consultante»; em vez de «doença», utilizo «problema». Além destes termos, utilizo também o de «necessidade filosófica», muito relacionada com os «problemas filosóficos», que, habitualmente, estão na origem de outros problemas e/ou justificam a consulta com um Filósofo certificado.
Se lermos os Estatutos da Sociedade Internacional de Prática Filosófica fundada por Gerd Achenbach – actualmente presidida por Thomas Gutknecht, encontramos uma clara referência a esta questão.
Ao lermos os livros do consultor Lou Marinoff – o mais popular dos consultores filosóficos – encontramos, por diversas vezes, a expressão «biblioterapia». Entendemos os objectivos desta técnica, mas pessoalmente não utilizaria o termo «terapia», embora reconheça que a aplicação da técnica possa provocar uma mudança na vida do consultante.…
Penso que deveremos ser rigorosos na utilização dos conceitos e na definição do tipo de trabalho que fazemos enquanto Consultores Filosóficos, pois a Consultoria Filosófica não pode ser «qualquer coisa subjectiva inventada por um curioso».…
Portanto, temos que promover mais a investigação científica nesta área, apelando ao trabalho conjunto entre as universidades e as associações profissionais. Os países latinos (Brasil, Portugal, Espanha, Argentina, Itália, México, França, Equador, etc. necessitam de mais projectos nesta área, desde cursos e workshops, debates, revistas, gabinetes, páginas web, etc.

2. AP - A superficialidade da sociedade impede que as pessoas sejam felizes?

2. JHD: No meu trabalho como Consultor Filosófico evito a utilização de expressões muito amplas, subjectivas e/ou vagas. Portanto, dizer que a sociedade é superficial exigiria uma análise filosófica longa, racional e fundamentada.
No entanto, posso dizer que algumas pessoas não dedicam tempo suficiente da sua vida à reflexão e diálogo sobre questões essenciais. Neste âmbito, a formação ao longo da vida é um aspecto pessoal importante, tal como o desenvolvimento de uma teoria pessoal sobre a Felicidade.
Por exemplo, ultimamente tenho realizado workshops sobre a Felicidade, onde apresento várias definições (exploradas ao longo da história do pensamento humano, pertencentes a autores de diferentes épocas e culturas) – incluindo a minha – com o objectivo de debatermos as diferentes perspectivas e avaliarmos a possibilidade de uma definição consensual e universalizável. No final deste trabalho prático (pouco visto na sociedade portuguesa), saímos do workshop com uma aprendizagem riquíssima, resultado da partilha de ideias, da confrontação conceptual e da interactividade pessoal.
Nestes workshops, é também a minha felicidade que está em jogo, pois aprendo muito com alguns participantes, além da testagem constante que realizo no diálogo filosófico com outras pessoas…

3. AP - Como buscar profundidade de relacionamentos e visões de mundo em uma sociedade acostumada ao "fast", ao imediatismo?

3. JHD: De facto, os organismos políticos têm algumas responsabilidades na construção da sociedade. Em Portugal vivemos uma crise mais profunda do que a anterior, que era de índole mais económica. A actual crise é mais social e, na minha perspectiva, filosófica. Penso que Portugal não tem um «Projecto» seu. Por essa razão, tem vivido na sombra de projectos de outros países, não havendo uma coerência interna na política global do país.
Quando não existem estruturas que ajudem os cidadãos, é muito difícil que um cidadão e sua liberdade reduzida consigam construir uma felicidade sólida e com qualidade. Este tipo de sociedade é muito facilmente levado a confundir felicidade com alegria, prazer, dinheiro, telemóveis 3G, playstations, dvd’s, tv's plasmas, etc.
Na minha teoria sobre a felicidade atribuo um lugar de destaque aos organismos políticos governativos, pois considero que têm um enorme poder na gestão da vida dos cidadãos, mas, mais do que isso, na promoção das condições (educação, liberdade, etc.) que poderão permitir a construção e realização da felicidade pessoal.…
Se olharmos para a história, encontramos centenas de definições de felicidade. De facto, algumas delas não consideram possível ser feliz no imediatismo competitivo da vida contemporânea. Mas também existem teorias a dizer exactamente o contrário. Portanto, penso que o ideal é cada um dedicar-se à formação da sua filosofia de vida pessoal, elaborando a sua teoria sobre a felicidade. Depois, à medida que for realizando as suas «experiências felicitárias» vai adaptando a sua teoria à prática quotidiana da sua vida em sociedade. Só assim será possível melhorar a teoria e viver com mais felicidade.
Quanto a mim, seria um erro querer forçar uma definição de felicidade, elaborada por outros e sem qualquer sentido para a pessoa que a pretende viver.

4. AP - Pela propaganda de fugir do sofrimento, não seria mais complicado as pessoas optarem pela filosofia que é algo que faz pensar e pode gerar crises?

4. JHD: Esta pergunta é um excelente exemplo da importância que a Filosofia tem na actualidade. Não me refiro à Filosofia teórica e histórica (que será sempre importante, embora no contexto próprio, ou seja, académico e de investigação), mas à Filosofia prática e contemporânea (que é construída a partir das necessidades filosóficas das pessoas).
É evidente que nem todas as pessoas procuram a Filosofia! Mas também podemos tentar ver a questão numa outra perspectiva: que Filosofia? E se formos mais longe, perguntamos ainda: o que tem a Filosofia contemporânea para oferecer às pessoas? O Brasil deu um importante contributo para o desenvolvimento da prática filosófica ao criar uma lei que obriga todas as escolas do ensino médio a leccionarem a disciplina de Filosofia. Esperemos que o país ganhe com essa decisão política.
Noutros países, como Portugal, a disciplina está a desaparecer, tendo sido substituída pela Área de Integração, que congrega saberes de várias disciplinas, desde a Sociologia à Psicologia, à Política e à Filosofia.
Espanha está num lugar intermédio, pois criou a disciplina de Ética e manteve a disciplina de Filosofia nos últimos dois anos pré-universitários.
Portanto, como vemos, a relação entre a Filosofia e os problemas das pessoas depende do país a que nos referimos. Em Itália, por exemplo, encontramos 14 associações de prática filosófica, além de um conjunto de empresas que oferecem serviços filosóficos. Na Holanda também encontramos algumas empresas a fornecer serviços de Consultoria Filosófica Organizacional.
Penso que o «filosofar» é mais uma atitude consciente, valorativa e com sentido, do que a posse de uma diversidade de conhecimentos.
Por outro lado, não penso que a Filosofia tenha um papel superior ao das outras disciplinas. Penso que é importante haver trabalho filosófico nas instituições, mas não penso que a Filosofia possa, por si só, salvar” pessoas e sociedades. Por outro lado, também não penso que a Filosofia possa, por si só, dar origem a crises e revoluções. O que a Filosofia pode fazer é ajudar pessoas e instituições a avançar ou recuar, mas isso depende do contexto envolvente.
O que observo nas minhas consultas é que as pessoas que têm realmente problemas filosóficos aparecem já com essa consciência e não têm qualquer problema em solicitar a marcação de uma consulta. Ao contrário, quando as pessoas não sabem que tipo de problema têm, vivem confusas e provavelmente terão vergonha em pedir ajuda. Quando recebo pessoas com problemas que não sejam filosóficos encaminho-as imediatamente para colegas de outras áreas.

5. AP - Por que as pessoas, mesmo tendo tudo o que faria uma pessoa feliz, não se dão conta e continuam em uma constante busca?

5. JHD: A procura (ou investigação) é aquilo que mais constitui a dimensão amorosa do ser humano. Sendo a Filosofia um «amor à sabedoria», a atitude da pessoa que se dedica à Filosofia sendo profissional ou não é a da humildade e consciência de que o mundo é demasiado grande para poder ser conhecido totalmente por um só ser humano. Ao longo dos tempos, a Filosofia tem estudado as questões mais complexas da existência humana e não-humana. Teoricamente, e como possibilidade, qualquer questão poderá aparecer no Gabinete do Consultor Filosófico.
Mas na prática, são as questões existenciais que mais aparecem, como por exemplo: o sentido da vida, dilemas, problemas relacionais, conflitos valorativos, etc.
Assim, cabe ao Consultor Filosófico orientar a pessoa na procura de uma solução para o seu problema. Tal como já dei a entender noutra questão, nem sempre é fácil explicar às pessoas o que significa a «consultoria filosófica», visto que algumas das palavras que utilizamos nesta área de trabalho não têm o mesmo significado do habitual. Por exemplo, quando falamos em «solução do problema», surge logo a ideia dos matemáticos, no sentido de termos uma resposta definitiva, universal e plenamente satisfatória. Em Filosofia não podemos utilizar esse sentido matemático. Aliás, creio que a própria Matemática está a utilizar mais outras expressões que a aproxima da Consultoria Filosófica, como por exemplo, «probabilidade», «preferência», «solução óptima», etc.
Outro exemplo: a máxima sobre a auto-medicação, que se aplica aos doentes da Medicina: «Um medicamento receitado pelo seu médico pode não servir para outra pessoa com sintomas semelhantes», pode ser utilizada, também, com os consultantes na Filosofia: «Uma análise racional orientada pelo consultor filosófico pode não servir para outra pessoa com as mesmas preocupações».
Gostaria de terminar a minha resposta a esta questão com uma referência ao ter tudo. Na actualidade, o tema da felicidade é algo que vende muito. Os especialistas da publicidade (e outros) perceberam muito bem que «Todos queremos ser felizes.» (Agostinho de Hipona, Diálogo sobre a Felicidade) A partir daí iniciou-se uma exploração extremamente agressiva (e nalguns casos muito inteligente) acerca dos conteúdos prováveis da vida feliz. As ofertas são intermináveis! Alguns estudos dizem-nos que os livros de auto-ajuda são os que mais vendem. E tudo isto, porquê? Porque a questão da felicidade é um problema filosófico pessoal que jamais terá uma solução absoluta e universal. No entanto, penso que a nossa época é caracterizada por um aumento dessa procura no «imediato», precisamente porque a questão assumiu uma importância muito grande.
O que me parece que está a acontecer é que as pessoas estão a fazer, na sua vida privada, experiências filosóficas pessoais no domínio da felicidade, ou seja, a vida de algumas pessoas tornou-se um autêntico «Laboratório de Filosofia» - com mais ou menos reflexão e procura. O problema é que a maioria dessas pessoas faz essas experiências sem a ajuda de um profissional certificado: o Consultor Filosófico.
Não vejo a felicidade como um estado de perfeição, alcançável com a obtenção de um conjunto de coisas, mas como uma atitude inteligente de compreensão do lugar do ser humano na vida em sociedade, realizando pessoal e socialmente essa sua «Filosofia de vida» (anteriormente fundamentada por argumentos racionais e vitais). Viver de acordo com a sua ideia de felicidade é o objectivo de qualquer ser humano. O problema é que essa ideia de felicidade pode não ser a melhor… Quem o sabe? E como? É aqui que o diálogo filosófico adquire todo o sentido, como uma das melhores formas de aprendizagem, para uma «vida examinada» (Sócrates) e «melhor vivida».

6. AP - Grandes gênios são também conhecidos pela infelicidade com que enxergaram a vida. Aprofundar-se no que é ser humano é ser constantemente insatisfeito?

6. JHD: «Ser feliz» não tem uma relação directa com o «ser Filósofo». Aliás, nem todos os Filósofos abordaram a questão da Felicidade. E mesmo aqueles que a abordaram, não sabemos se foram felizes…
Penso que esta questão é um pouco como aquele ditado popular: «Faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço». Por vezes, aplica-se este ditado popular à profissão dos médicos, que estão sempre a aconselhar os seus pacientes a deixar de fumar, embora, alguns médicos, fumem.
O mesmo acontece com os Filósofos que elaboraram sistemas teórico-práticos sobre a questão da felicidade. Não significa que os Consultores Filosóficos que utilizem estes sistemas no trabalho de consulta filosófica com clientes, sejam felizes.
Quanto à parte final da sua pergunta, penso que o aprofundamento da humanidade não leva necessariamente à insatisfação, embora possamos admitir que a realização da vida humana não tenha um fim propriamente predefinido. Para mim, é essa dimensão de indeterminação que dá fascínio à vida humana e que dá liberdade às decisões pessoais e ao modo como cada um constrói o seu caminho nesta vida.
Daí que a imagem do labirinto, que escolhemos para a capa do Manual de Formação de Consultores Filosóficos (2006), dirigido pela Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico, tenha a virtude de mostrar que a vida tem, não apenas uma única saída, mas vários caminhos para lá chegar.
Quanto a mim, só é insatisfeito quem apenas valoriza a dimensão emocional da humanidade… Penso que a Consultoria Filosófica deve ter em conta a dimensão global do ser humano. Aprecio bastante a Abordagem da Complexidade (Edgar Morin), que alguns autores têm aplicado ao estudo da Filosofia.

7. AP - Nietzsche compreendeu de tal forma a humanidade que ainda hoje está muito à frente do nosso tempo. Apesar disso, não conseguiu suportar a realidade. Compreender a realidade é capaz de nos tornar felizes?

7. JHD: Falar em Nietzsche faz-me sempre lembrar o livro de Irvin Yalom When Nietzsche Wept (Quando Nietzsche Chorou), de 1992. Como todos sabemos, Yalom é professor de Psiquiatria e Psicoterapeuta, mas o livro é uma autêntica promoção da Consultoria Filosófica. E para isso, o autor teve de assistir a cursos sobre Nietzsche, Filosofia Alemã e Fenomenologia. Mais curioso ainda, para quem aprecia o trabalho deste autor, foi a leitura dos «Agradecimentos», na sua obra The Schopenhauer Cure (A Cura de Schopenhauer) , de 2006. Alí podemos encontrar referências às principais obras da Consultoria Filosófica, como: Peter Raabe, Philosophical Counseling: Theory and Practice, Shlomit Schuster, Philosophy Practice: An Alternative to Counseling and Psychotherapy, Lou Marinoff, Plato, not Prozac, Pierre Hadot, Philosophy as a Way of Life: Spiritual Exercises from Socrates to Foucault, Alain de Botton, The Consolations of Philosophy.
Isto significa que o autor, para escrever sobre a Consultoria Filosófica, teve necessidade de investigar. A sua ideia, no livro sobre Nietzsche, foi abordar vários temas pouco explorados pela literatura, como por exemplo, «os problemas filosóficos dos médicos (em geral)», «a utilidade da Filosofia na gestão de problemas filosóficos pessoais», «a formação do Consultor Filosófico», «os métodos da Consultoria Filosófica», etc. Nesse livro, percebemos que a Filosofia de Nietzsche foi muito útil ao médico Josef Breuer, que sofria imenso com o «desespero» - problema filosófico pessoal também explorado por Sören Kierkegaard.
Para responder mais directamente à sua pergunta, cito a frase inaugural da obra: “Alguns não conseguem afrouxar as suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar os seus amigos.” (Nietzsche) Ao abrir o livro com esta frase, Irvin Yalom pretende dizer que a Filosofia de Nietzsche pode ajudar os consultantes, mas isso não significa que o próprio Nietzsche tenha vivido feliz e sem problemas. Penso que ainda há muita matéria para estudar sobre a vida de Nietzsche.

8. AP - Há algumas dicas que as pessoas possam seguir para buscar a felicidade por meio da filosofia?

8. JHD: Em primeiro lugar, é preciso compreender que a felicidade é um assunto pessoal da responsabilidade de cada um.
Em segundo lugar, temos de reconhecer que existem várias ciências a fornecerem contributos diferentes para a construção da felicidade pessoal e social. A Filosofia foi das primeiras áreas a reflectir sobre o assunto. Por exemplo, Aristóteles inclui na sua Ética a Nicómaco dois capítulos sobre a Felicidade (o primeiro e o último). Séneca foi o autor de A Vida Feliz. Epicuro escreveu a Carta sobre a Felicidade. Já na nossa época, temos Bertrand Russell, The Conquest of Happiness, Andre Comte-Sponville, Le Bonheur, désespérement, Darrin Macmahon com The Pursuit of Happiness, Gilles Lipovetsky, Le Bonheur Paradoxal e Julián Marías, La Felicidad Humana. Na actualidade, já quase todas as ciências sociais e humanas se pronunciaram sobre o tema, tendo especial destaque a Psicologia e, mais recentemente, as Neurociências.
Posto isto, caberá a cada pessoa (consultante ou não da Filosofia) elaborar a sua teoria sistemática (aberta ou fechada ao transcendente) sobre a felicidade. Se acreditarmos que as teorias são influenciadas por determinados contextos sócio-políticos e culturais, então, cada pessoa deverá dialogar com as teorias do passado, mas sempre com o objectivo de construir a sua teoria, no sentido de a aplicar na gestão da sua vida.
É por esta razão que já escrevi algures que a felicidade é o tema mais importante da vida humana pessoal e que cada pessoa não poderá ser feliz se não tiver um projecto de vida com sentido para si.
Quando coordeno workshops de Consultoria Filosófica sobre a felicidade, o objectivo não é ensinar teorias que outros Filósofos construíram, mas promover no pensamento das pessoas um conjunto de competências filosóficas, que lhes permita elaborar a sua própria teoria sobre a felicidade, assim como a sua aplicação à vida prática de todos os dias.
Este é um processo temporal e pessoal que poderá ser efectuado com o acompanhamento de um Consultor Filosófico. Portanto, as teorias dos outros Filósofos não são uma “finalidade”, mas um instrumento para ajudar as pessoas a reflectir e a projectar, ou seja, servem de ponto de partida…
Por exemplo, nos últimos workshops que realizei sobre a felicidade, utilizei o artigo que escrevi para o Grupo de Investigação em Filosofia Aplicada, da Universidade de Sevilha (Espanha): La felicidad como objetivo de la Filosofia Aplicada. Neste artigo encontramos algumas teorias filosóficas sobre a felicidade, avanço com a minha ideia de felicidade F=P+C (Felicidade = Projecto + Concretização) -, apresento o método PROJECT@ e exploro um caso-de-consulta: o Caso de Manuela.
Tal como o consultante, o Filósofo é aquele que se compromete com uma determinada definição. Neste âmbito, a felicidade é apresentada como uma finalidade da vida humana, baseada numa teoria do ser humano, como «projecto no tempo» que vive sempre à procura de um sentido para cada acção que pratica.
Nesta minha teoria sobre a felicidade não apresento conteúdos, mas formas de ser e de estar. A ideia é promover a realização das principais características humanas da nossa época. Conseguindo-o, já estamos no caminho da felicidade. E por isso, ser feliz está no próprio caminho e nos objectivos de vida que vamos realizando…
Biografia de Jorge Dias

Jorge Humberto Dias nasceu em Angola a 2 de Maio de 1973. Com a Revolução da Liberdade, em 1975, viajou com os seus pais para o Brasil (São Paulo). Com apenas 5 anos de idade, chega a Portugal, onde realiza os seus estudos secundários de Direito e Administração Pública, licenciando-se em Filosofia (especialização cientifica de Ética e Política) na Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), com a tese A Felicidade em Julián Marías. Realizou especializações na área da Educação para a Cidadania (Instituto da Educação Lisboa) e na área do Aconselhamento Filosófico (Society for Philosophy in Practice - Londres). Em 1999 foi admitido no Mestrado em Filosofia, na Universidade Nova de Lisboa e em 2003 inicia o seu projecto de Doutoramento em Filosofia na mesma universidade.
Em 2004 participou na fundação, em Lisboa, da Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico. Organizou vários Congressos Internacionais, tendo convidado Lou Marinoff, José Barrientos, Félix Moriyón, Óscar Brenifier, Rayda Guzman e Gabriel Arnaiz; promoveu a formação profissional e especializada, coordenando 8 cursos práticos para Consultores Filosóficos; organizou o Manual de Formação da associação intitulado Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor (2006) e as Actas dos Congressos (2005 e 2008). Publicou vários artigos científicos, destacando-se o mais recente, num livro espanhol: La Felicidad como Objetivo de la Filosofia Aplicada (2008).
Em Julho de 2009 foi conferencista na IX Conferência Internacional de Prática Filosófica, em Carloforte (Itália), tendo representado Portugal nos Reports around the World e coordenado um workshop sobre o seu método de consulta filosófica: PROJECT@. No último dia da conferência, Jorge Humberto Dias participou no Fórum sobre Philosophical Counseling for Organizations, a convite de Ran Lahav.
Jorge Humberto Dias é professor convidado no Titulo Experto Filosofia Aplicada a la Orientación Racional (Universidade de Sevilha - Espanha) e no Master Práctica Filosófica y Gestión Social (Universidade de Barcelona - Espanha).
Actualmente, Jorge Humberto Dias é professor na ESVRSA (Portugal) e Consultor Filosófico no Gabinete PROJECT@ (http://gabinete-project.blogspot.com/), onde realiza consultas individuais, workshops sobre a Felicidade e outras actividades.
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