sexta-feira, 26 de junho de 2009

Marcelo Rebelo de Sousa apresenta «Ética a Nicómaco»

A apresentação do livro «Ética a Nicómaco», de Aristóteles, editado pela Quetzal, estará a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa, mas também do padre Tolentino de Mendonça.

A apresentação da obra vai decorrer no dia 29 de Junho, segunda-feira, na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa, às 18h30.

«Ética a Nicómaco trata da felicidade como projecto essencial do ser humano. Das virtudes, da sensatez, do que se pode e do que se deve fazer. Trata da possibilidade de se existir de acordo com as escolhas que fazemos. De se ser autónomo, de viver com gosto. Trata da procura do prazer pelo prazer - e do prazer pela honra. Da justiça. Das formas de vida que levam à felicidade. Da procura do amor. É um livro fundamental para a cultura do ocidente»

Fonte: Diário Digital

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Metro de Londres oferece dose diária de filosofia

Turistas e residentes que a partir desta quinta-feira utilizem o metro de Londres vão ouvir frases célebres de filósofos como Jean-Paul Sartre, Mahatma Ghandi e Albert Einstein. O objectivo é transmitir a mensagem de que não é essencial chegar rapidamente à estação de destino.
A ideia partiu do Serviço de Transportes londrino, que encarregou o vencedor do prémio Turner de Arte Contemporânea Jeremy Deller a compilar as melhores reflexões filosóficas para «humanizar» o trajecto do metro.
«A vida é mais do que aumentar a velocidade», de Mahatma Ghandi, ou «um tropeço previne a queda», do escritor britânico Thomas Fuller, são algumas das frases que os passageiros irão ouvir.
Num primeiro momento, a ideia de Deller era substituir os tradicionais anúncios sobre a situação das linhas por essas «lições de filosofia». No entanto, ficou decidido que os dois tipos de mensagens serão alternados.
Segundo a responsável pelo projecto, Sally Shaw, o objectivo é «melhorar a interacção» entre os utilizadores e «fazer fluir os pensamentos que cada um tem durante a viagem».

Fonte: Diário Digital

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Filosofia para crianças – Aprender a Pensar


Os docentes de Filosofia da escola de Paredes de Coura iniciaram e desenvolveram este ano lectivo um projecto de Filosofia para crianças (1º ano do 1º ciclo e no 5º ano do 2º ciclo), que embora já com tradição em vários países é pioneiro na escola pública portuguesa.

Fonte: DN

terça-feira, 16 de junho de 2009

«A Filosofia do ritmo portuguesa» apresentado sexta-feira


O livro «A Filosofia do ritmo portuguesa», de Rodrigo Sobral Cunha, é apresentado sexta-feira no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) numa sessão que conta com a participação de Carvalho Rodrigues (pai do satélite português) e que será moderada por Alexandre Quintanilha.
Rodrigo Sobral Cunha é um filósofo que tem desenvolvido trabalho num modelo do conhecimento, de origem portuguesa, baseado no «ritmo».

A Filosofia do Ritmo, como se lê na sinopse do livro, «apresenta-se como um modelo de conhecimento para o qual o ritmo é a própria energia de existência e bem assim o princípio unificador da Física, da Biologia e da Psicologia».

O livro será debatido pelo ex-director do Programa de Ciências da NATO Fernando Carvalho Rodrigues, um cientista português que já recebeu diversos prémios e condecorações, dos quais se destacam o Pfizer (1977), a comenda da Ordem Militar de Santiago da Espada (1995) e doutor Honoris Causa (1995) pela Universidade da Beira Interior.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O CASO DE CHRISTINA


"A Christina é uma senhora dinamarquesa que está em Portugal por questões meramente profissionais. É uma gestora de sucesso, mas nunca se conseguiu adaptar à cultura portuguesa, ao modo como a sociedade está estruturada. Havia consultas em que passava mais tempo a ouvi-la falar das duras críticas à mentalidade portuguesa, ao procedimento típico nas instituições, ao constante apelo à corrupção, ao enganar o próximo, ao aproveitar-se das situações e à falta de educação no espaço público. Todos os dias, a Christina tinha que fazer um esforço enorme para não discutir com colegas, «subordinados incompetentes», clientes, fornecedores, etc.
Mas o problema desta senhora era o seu companheiro. David estava completamente diferente. Quando o conheceu, ele era carinhoso, compreensivo, um excelente conversador e trabalhador. Trabalhavam os dois na mesma empresa. Mas agora tudo tinha mudado. A sua vida era um inferno.
E para não sofrer tanto, tinha decidido entregar-se ao trabalho e consultar-me todas as semanas. Já vamos na 12ª consulta.
O que mudou então? O seu companheiro também nunca se conseguiu adaptar a Portugal, e todo o «stress» da situação, sobretudo a dificuldade em lidar com esta dificuldade, levou o David para a bebida, para as saídas à noite com amigos e amigas… e o pior, para a violência com Christina.
A cliente estava proibida de fazer muitas coisas: não podia falar com homens (mas comigo o marido deixava, porque eu era visto como um «técnico de saúde espiritual» – dizia-lhe ele), não podia sair à noite, tinha de fazer tudo o que David pedia. Sentia-se um «farrapo humano». Tinha medo de contar a sua história a alguém, pois temia que lhe acontecesse o pior.
De imediato, perguntei-lhe se já tinha falado com alguma Instituição.
Christina disse que a situação era passageira, porque David estava a ser acompanhado por um Psiquiatra. E assim que o seu problema fosse curado, a sua vida voltaria ao normal. Perguntei também porque é que a Christina também não tinha pedido ajuda a um Psiquiatra, ao que me respondeu que tinha o seu psiquismo controlado. O seu único problema era com a vida e com o seu companheiro. Queria encontrar um argumento forte para continuar a acreditar que a sua felicidade iria voltar… Ainda falamos de mais coisas, mas nada se adiantou.
O que me parece importante relatar aqui é a questão filosófica que discutimos na oitava consulta: perguntei à Christina porque estava a viver com o David. Porque o amava – disse-me. Mesmo quando lhe bate? Sim, porque compreendo as suas razões. Quais? A sua doença e os seus problemas, com os quais me identifico. Ele é a minha alma gémea – disse.
Perguntei-lhe qual era a sua definição de amor. Aí começaram as dificuldades conceptuais. Christina disse que eu fazia perguntas muito difíceis.
Se assim é – disse-lhe –, então, talvez seja melhor parar a consulta… A cliente fez questão de prosseguir, e justificou as suas dificuldades, devido ao facto de nunca ninguém lhe ter feito essa pergunta. Mas via isso como um desafio. Depois de desenvolvermos as questões mais comuns, reperei e disse-lhe, que não tinha encontrado ainda, na sua definição, a violência como forma de expressar o amor que se tem por alguém. Mas isso é uma excepção, um caso à parte – explicou Christina.
Depois de abordarmos valores como a fidelidade, o respeito, a sinceridade, o carinho, a paz, a cumplicidade, etc., a cliente foi deixando de argumentar a favor do seu amor por David. Até que admitiu que estava a forçar uma situação. Tinha plena consciência de que o seu pensamento estava errado, mas como ainda lhe custava muito dizer ao mundo e a si mesma que a sua relação e a sua felicidade tinham terminado, Christina vinha adiando. Depois porque ninguém desconfiava de nada, o seu sucesso profissional era o mais visível.
Foi na décima consulta que Christina vinha com uma vontade enorme de explorar a questão da Felicidade. Tinha visto na Internet que esse era um tema a que eu me dedicava a investigar. Falei-lhe de várias teorias e autores, como Platão e Sócrates, Aristóteles, Santo Agostinho, Kant,
Freud, Julián Marias. Foi sobre este último que a cliente teve mais curiosidade.
Sabia que o Filósofo espanhol tinha falecido há pouco tempo, e tinha deixado um obra imensa, mas o destaque ia para um livro sobre a e Felicidade, com 386 páginas. Incrível como esse senhor conseguiu escrever tantas páginas sobre esse tema… – dizia-me Christina. Será que houve mais alguém que escrevesse tantas páginas? – perguntou. Sim, houve recentemente um Psiquiatra espanhol que escreveu Uma Teoria da Felicidade mas que tem muitas influências de Julián Marias – respondi. E acrescentei ainda: aliás, Enrique Rojas, seu nome, apresenta a Felicidade como um «impossível necessário», conceito desenvolvido por Julián Marias,
mas que o Psiquiatra espanhol não revela.
Christina pretendia saber também qual a minha definição de felicidade, e fomos falando, debatendo… Têm sido assim as últimas sessões. E com isto a sua auto-estima melhorou consideravelmente, tornando-se mais optimista, ao ponto de agora estar a viver com a irmã. Ao contrário do que seria de esperar, o companheiro concordou ser a melhor solução, devido à sua debilitação psicológica, que não conseguia evitar sozinho.
Por vezes, os preconceitos do nosso quotidiano misturam-se de tal forma com as emoções e as crenças, que nos impedem de ver claro os conceitos que na prática nos poderiam ajudar a percorrer outro caminho na vida."
FONTES:

Texto
- Jorge Dias, Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor. Lisboa, Ésquilo, 2006.