terça-feira, 29 de dezembro de 2009

NOVO LIVRO DE FILOSOFIA APLICADA - de ALAIN DE BOTTON

" (...) Sem precisar de ter lido a obra-prima do filho, Adrien Proust – um proeminente médico de craveira internacional, professor na Faculdade de Medicina de Paris e autor de 34 livros sobre saúde, higiene e bem-estar – parece nunca ter desperdiçado um minuto da sua vida e quando, no fim da mesma, lhe pediram um balanço, terá respondido: «Fui feliz toda a vida.» (...) "


Leia AQUI uma notícia sobre este novo livro

Compre AQUI o livro de Alain de Botton

domingo, 13 de dezembro de 2009

JORGE DIAS E JOSÉ BARRIENTOS LANÇAM NOVO LIVRO



Jorge Dias e José Barrientos publicam em Espanha um novo Livro:

"FELICIDAD O CONOCIMIENTO? LA FILOSOFIA APLICADA COMO LA BÚSQUEDA DE LA FELICIDAD Y DEL CONOCIMIENTO".

Trata-se de um projecto que ocupou os autores ao longo dos 2 últimos anos e que resume o percurso de ambos na Consultoria Filosófica. São abordadas definições, explorados métodos de consulta, apresentados casos práticos, etc.
O título espelha a diferente posição dos autores, relativamente à fundamentação da Consulta Filosófica: Jorge Dias considera que a Consulta deve potenciar a FELICIDADE do consultante; José Barrientos afirma que a Consulta deve ajudar o consultante a encontrar a  VERDADE do seu pensamento...

sábado, 12 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O CASO DE MARIA


" A Maria conheceu-me através de uma amiga sua, que lhe contou que nas aulas o seu professor de Filosofia tinha referido a existência do Aconselhamento Filosófico como uma «Terapia para Saudáveis», e que tinham desenvolvido toda essa área durante o 3º Período, com a análise e o debate de casos. Essa área prática da Filosofia, dizia ela à amiga, preocupava-se em aplicar os sistemas filosóficos às questões da vida em sociedade. E que durante algumas aulas, os alunos estiveram a analisar a questão da felicidade, a partir de casos práticos do livro do professor Louis Marinoff.
Desta forma, os alunos entenderam que as teorias filosóficas sobre a Felicidade podiam ser muito úteis quando aplicadas à vida de cada um, e como exemplos, foram explorados nas aulas as teorias de Platão e Aristóteles, passando por Epicuro e Séneca, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, até Kant, Stuart Mill, Julián Marias, Fernando Savater, etc.
Ao ouvir as novidades da sua amiga, a Maria sentou-se triste nesse dia e pensou o quanto era infeliz com a vida que tinha. Começou a chorar.
A sua amiga estranhou como é que uma partilha tão alegre podia fazer a Maria ficar tão triste. E não hesitou em perguntar: o que se passa? Tens algum problema? Ao que Maria de imediato respondeu: sim, sou infeliz e gostava de perceber porquê, assim como tentar encontrar um caminho que pudesse dar algum sentido à minha vida. Aamiga sugeriu que a Maria fosse falar com um Conselheiro Filosófico que tinha encontrado na Internet.
No dia a seguir, no final da aula, a sua amiga enviou-me um e-mail a expor a situação e perguntou-me se seria possível eu conversar com a Maria.
Marcámos para o dia a seguir, ao fim da tarde.
Quando vi a Maria pela primeira vez, senti logo que o seu olhar revelava alguma tristeza. A intuição do filósofo. Sentamo-nos confortavelmente e comecei por perguntar à Maria qual era a questão que a preocupava.
A Maria disse que era a relação dos pais e a sua própria relação com os pais. E que não sabia como gerir essas relações, nem sabia o que fazer quando ambos a convidavam para algo.
Os pais da Maria tinham-se divorciado há pouco tempo. Revoltada com a situação, decidiu ir viver com a madrinha. Pai e mãe reiniciaram uma nova vida, e a Maria não estava a saber gerir nem enquadrar-se na nova situação. A mãe saía à noite com as amigas; o pai começou a viver com outra mulher e os seus dois filhos. Tudo mudou na sua vida. Estava a aproximar-se o dia do seu aniversário e a Maria não sabia com qual dos dois deveria ir festejar, sobretudo porque os seus pais viviam longe, em cidades diferentes. O Natal era outro acontecimento que a preocupava, assim como a sua vida universitária e as suas despesas pessoais.
Tudo mudou na vida da Maria, mas sobretudo era o seu modo de pensar que exigia novos conceitos, um reequacionar do seu sistema de valores e respectiva hierarquia, assim como um novo sentido para as suas relações familiares. A Maria queria construir um projecto de vida que lhe trouxesse felicidade, segurança, amor e uma profissão.
Iniciei um conjunto de sessões com a Maria, com o objectivo de trabalhar todas estas questões. Essencialmente, centrei o meu trabalho no conceito de projecto, que a Maria tinha, e agora mais do que nunca, de encontrar e elaborar. Começaram a surgir várias hipóteses e ideias na vida e no pensamento da Maria. Através da análise das suas emoções, facilmente percebi quais os conceitos que a Maria necessitava de trabalhar.
Comecei por estabelecer um plano de sessões, começando pelos conceitos e valores base, e progredindo, como lhe chamaria Tim Lebon, para os conceitos e valores aos quais estavam ligadas as emoções. Na minha perspectiva, e fruto da experiência que tenho recolhido nas sessões com os clientes, penso que é mais frutífero trabalhar primeiro os conceitos e valores que não têm grandes emoções associadas, mas sem nunca esquecer os que têm, pois são esses que revelam maior importância na vida do cliente, pelo menos naquele momento, e que eventualmente justificam a consulta com o Conselheiro Filosófico.
Como em qualquer situação, e isso parecia-me normal, a Maria pretendia sair de casa e ir estudar e trabalhar para longe. Talvez assim conseguisse libertar-se das emoções negativas que a atormentavam e faziam sofrer e dizer que estava infeliz. Mesmo depois de analisarmos os argumentos racionais das várias hipóteses, a Maria foi mesmo para outra cidade à procura de um novo mundo e na tentativa de criar um novo projecto para sua vida. Continuei a acompanhar a Maria nessa outra cidade, porque também eu tinha nessa cidade vários projectos, e tinha que me deslocar até lá várias vezes por mês.
Voltando um pouco atrás, a Maria necessitava de perceber as razões que levaram os seus pais a divorciar-se; precisava também de saber o que era um projecto de vida e como se construía um, sem que o mesmo pudesse ser abalado à primeira dificuldade ou abandonado à primeira paragem; precisava saber como gerir a relação dos e com os pais. O que rapidamente percebi é que a Maria aceitava o divórcio dos pais, pois há muito que tinha percebido as suas divergências. O que a Maria não entendia eram as razões que levaram, gradualmente, ao fim da relação. Foi assim que comecei por analisar com a Maria o conceito de relação, tema fundamental em qualquer Ética Pessoal. Aproveitei para dar a conhecer à Maria as obras de Aristóteles e de Julián Marías, visto que também me tinha solicitado um livro que pudesse ajudá-la e fazer-lhe «companhia» nos momentos em que se sentia mais sozinha. Sugeri que lesse a Ética a Nicómaco, o capítulo sobre a amizade, e que aí analisasse o conceito de relação; como a Maria também lia espanhol, sugeri-lhe La Felicidad Humana. Confesso que as sessões, a partir daí, foram muito mais fáceis. Tornaram-se uma espécie de conversa sobre o modo de colocar na prática a teoria que a Maria ia definindo relativamente à sua felicidade, adaptando-a aos conteúdos da sua vida.
Depois da Maria perceber que já não existia, ou talvez nunca tenha existido, a relação ideal que a Maria preconizava para a sua vida familiar, e que isso não dependia apenas dela, facilmente se dedicou à análise da relação que seria possível ela estabelecer com a sua mãe e com o seu pai, separadamente. A Maria percebeu que o conceito de relação pode estar associado ao valor da amizade, do amor ou da felicidade, desde que possua determinadas características essenciais como a reciprocidade, a promoção, a alegria, o apoio, a disponibilidade. Nessa sessão, exploramos exaustivamente a teoria da amizade de Aristóteles.
A Maria agradeceu-me e nunca mais apareceu. Mas enviou-me um e-mail, a dizer que o importante tinha sido o facto de o Conselheiro Filosófico ter compreendido a sua situação, ter «perdido» tempo a analisar toda a sua circunstância, e, a vantagem suprema, ter contribuído para que arrumasse as suas ideias, emoções, valores e crenças. Por vezes, pensamos que isto se faz facilmente sozinho, mas não. É preciso sermos cuidadosos e precisos no modo como gerimos o nosso «sentido» ético e as relações que estabelecemos com o mundo. Seria muito doloroso se descuidássemos as consequências da desatenção para com a nossa consciência e o nosso raciocínio."
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FONTE: Jorge Dias, Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor. Lisboa, Ésquilo, 2006.

SUGESTÃO DE LEITURA


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

FELICIDADE NO CINEMA

A curta-metragem de animação A FELICIDADE, de Jorge Silva Melo, foi seleccionada para competição no FIKE 2009 – 8º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Évora, que decorreu entre 23 de Novembro e 1 de Dezembro de 2009 na cidade de Évora.

Sinopse:

Um pai e um filho. O pai terá setenta anos, o filho pouco mais de vinte. O filho leva o pai ao hospital. Na rádio, música clássica. O Exultate, Jubilate de Mozart cantado por Teresa Stich- Randall. Nem o pai sabia que o filho gostava de música clássica, nem o filho sabia que aquela seria a última conversa que teria com o pai. Mas Mozart pede que as almas se alegrem, que os homens rejubilem.



FONTE: Agência

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NOVO LIVRO SOBRE PRÁTICA FILOSÓFICA

"(...) Inspirado na filosofia de María Zambrano, o método de aconselhamento filosófico RVP© (Raciovitalismo Poético), pretende, como o próprio nome indica, colocar a razão ao serviço da vida (...)
Os seis fragmentos de espiral do Método RVP© - circunstância; corpo; sensibilidade; entendimento; ser recebido; sonho - procuram dar conta da pessoa na sua complexidade, acolhendo-a de uma forma holística. (...)"

FONTE: INSTITUTO PIAGET - DIVISÃO EDITORIAL

Maria João Neves é professora no INUAF - Instituto Superior D. Afonso III, em Loulé. Publicou na Porto Editora "Ecos de Diotima". E foi Membro da APAEF (Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico), onde participou em Cursos de Formação de Consultores Filosóficos.

Actualmente, é professora convidada na Escola Superior de Saúde de Silves (Instituto Piaget).

Em 2006 abriu o seu Consultório Filosófico em Tavira.
 
FONTE: GET - Revista Digital de Prática Filosófica

domingo, 6 de dezembro de 2009

CONSELHOS PARA O STRESS



Todos os meses recebemos livros que nos são enviados pelas Editoras. Com este contributo, a Biblioteca do nosso Gabinete é já considerável. O nosso muito obrigado.

Desta vez, decidimos elaborar uma adaptação de uma parte do livro e indicar 12 CONSELHOS. Não se trata bem de Aconselhamento Filosófico, pois estaremos perante uma ironia (tão apreciada pelo nosso mestre Sócrates...), que só indirectamente nos esbofeteia pelo rídiculo de uma eventual mediocridade que invadisse o nosso Sistema Educativo português...
Assim, como o tema dos «PROFESSORES» continua em voga, sobretudo devido às reclamações sobre o processo de avaliação do seu desempenho e o modo como a carreira profissional está estruturada, decidimos dedicar-lhes estes 12 Conselhos, para todos aqueles que procuram ter um enfarte feliz.

1 - Preocupe-se mais com a Escola e com os seus Alunos. A sua vida privada e a sua família podem esperar;

2 - Se durante a semana não tem tempo para organizar mais reuniões e planificar mais aulas, vá para a Escola também ao fim-de-semana;

3 - Se mesmo assim não conseguir terminar todo o trabalho com qualidade, aproveite todo o tempo que tem depois de jantar: entre as 21h e as 4h da manhã conseguirá corrigir, pelo menos, mais 10 testes de diagnóstico;

4 - Em vez de dizer «não» aos seus colegas professores, diga sempre «sim» a todos os pedidos;

5 - Faça um esforço por participar em todos os Projectos e Actividades e aceite todos os convites para ir a Seminários, Conferências e Acções de Sensibilização;

6 - Não se dê ao luxo de tomar o Pequeno-Almoço ou de usufruir uma refeição tranquila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o Horário das refeições para elaborar Fichas de Trabalhos para os alunos e/ou ter reuniões importantes com os seus Coordenadores de Departamento;

7 - Não perca tempo a realizar actividades desportivas ou de lazer. Tempo é dinheiro!;

8 - Nunca tire férias! Poupe o dinheiro para comprar material de qualidade para a Escola;

9 - Centralize todo o trabalho em si e controle tudo para ter a certeza que tudo é bem feito;

10 - Se sentir algum cansaço, tome logo comprimidos para a motivação e energia;

11 - Se tiver dificuldades em adormecer, não perca tempo. Aproveite a noite para analisar filmes e gravas documentários para os seus alunos;

12 - Não pense muito na vida! Desperdiçar tempo a pensar é para os desempregados...


FONTE: Lauro Trevisan, Viver sem Stresse, Dinalivro, 2009. (Adaptado)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

"Há problemas na vida que não têm uma explicação imediata; por vezes, são eles que estão na origem de outros; e só muito tarde percebemos que estamos perante um PROBLEMA FILOSÓFICO pessoal..." (Jorge Humberto Dias)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

RAN LAHAV NA UNIVERSIDADE DE SEVILHA - 9/DEZ















Estimados amigos:
Os informamos que el próximo Miércoles 9 de Diciembre de 2009 en el Aula de Grados de la Facultad de Filosofía estará con nosotros en una conferencia taller el Profesor de la Universidad de Haifa, Ran Lahav. Lahav es el creador de los congresos mundiales de Filosofía Aplicada u Orientación Filosófica y editó el primer libro colectivo sobre el particular.

Su particular visión de la profesión ha provocado que sea invitado a diversos países como Italia, Perú o Estados Unidos para la difusión de sus actividades. Quedáis todos conminados a esta oportunidad de conocer a esta relevante personalidad de la profesión.

El evento se celebrará el 9 de Diciembre a las 18.30 horas en el Aula de Grados de la FAcultad de Filosofía. Está patrocinado por la Asociación X-XI y el grupo ETOR y organizado por el Grupo de Investigación "Filosofía Aplicada: Sujeto, Sufrimiento, Sociedad".

Para cualquier pregunta o duda, podéis consultar la blog http://filosofia-aplicada.blogspot.com/ o el teléfono 652 879 680. Asimismo, os invito a que visitéis su página web, haciendo click aquí. Allí, encontraréis videos de su actividad y artículos en español con sus planteamientos.

Agradeceríamos la máxima difusión entre vuestros amigos y compañeros.

FONTE: e-mail - FILOSOFIA APLICADA

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CONGRESSO INTERNACIONAL EM BARCELONA

Já ouvi falar da FILOEMPRESA? Há poucos dias atrás descobrimos um espaço que se dedica ao estudo da relação entre a Filosofia e a Empresa. Está situado em Barcelona e desenvolve actividades na área. «Filosofía y Empresa, la dimensión humana de los negocios. http://www.filoempresa.com/»
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A próxima actividade é 1º Congresso Internacional de Criatividade e Inovação (CICI), que irá realizar-se nos próximos dias 11, 12 e 13 de Dezembro em Barcelona. Pretende-se promover a reflexão sobre as práticas criativas e inovadoras, especialmente em: associações, escolas, museus, empresas e outras organizações relacionadas com a cultura, o empreendedorismo, a arte e a intervenção social.

As áreas temáticas organizam-se em quatro eixos:

1) Epistemológico (criatividade científica; tecnologia e inovação; conexão interdisciplinar; o pensamento criativo);
2) Ético, social e cultural (inovação social; criatividade e inovação na gestão cultural; cidades educadoras e criativas; ética e criatividade);
3) Estético (o olhar e o pensar; o estar e a relação com o ambiente; o estímulo sensorial através de linguagens artísticas);
4) Empreendedorismo cultural e criativo (Indústrias criativas e culturais; criatividade e empreendedorismo; gestão cultural de indústrias criativas).

Estão abertas as inscrições para participar e o prazo para preço reduzido é até ao dia 28 de Novembro.
A certificação final é entregue pela Universidade Autónoma de Barcelona.

Morada: Coll del Portell, 92-94 Bajos 2, 08024 Barcelona
Telefone: (0034) 935111291

Programa completo e localização do evento: http://crearmundos.net/cici/contacto.html

Do programa destacamos o seguinte:

- Apresentação do livro de Irene de Puig (directora do Grupo IREF, escritora, pensadora, coordenadora do Máster em Filosofia 3/18 da UdG-Universidade de Girona)

- Artista e Filósofa dialogam sobre as relações entre arte, ciência e tecnología.

Experta: Eulalia Bosch (España, filósofa, comisaria de exposiciones, escritora):  “Visto a partir do Interior"

- COMUNICAÇÕES SOBRE PENSAMENTO CRIATIVO, EDUCAÇÃO E FILOSOFIA

sábado, 14 de novembro de 2009

ALUNOS DA ESCOLA SECUNDÁRIA GIL EANES INVESTIGAM SOBRE A CONSULTORIA FILOSÓFICA


Um grupo de alunos da Escola Secundária Gil Eanes, em Lagos, estão a realizar um trabalho de investigação sobre Consultoria Filosófica.

Orientados pela professora da disciplina de Filosofia, os alunos entrevistaram o Dr. Jorge Dias, coordenador do nosso Gabinete. Pretendiam saber o seguinte:
- Como funciona o método PROJECT@ nas Consultas Filosóficas;
- Uma definição de Consultoria Filosófica e uma perspectiva sobre a sua utilidade;
- As razões que levaram Jorge Humberto Dias a licenciar-se em Filosofia e a especializar-se em Consultoria Filosófica;
- Existe alguma influência de Tim Lebon no modo como desenvolve a Consulta;
- Existe alguma incompatibilidade entre a Consultoria Filosófica, a Psicologia e a Psicanálise.

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS PODE SER PREJUDICIAL








Segundo uma notícia do suplemento INIMIGO PÚBLICO, a Filosofia para Crianças pode ser prejudicial. Tendo em conta que este resultado foi obtido com base numa investigação, perguntamos: ironia ou pensamento crítico?

"Filosofia para crianças: Platão provoca cólicas e Kant não ajuda a arrotar.


Por João Henrique

A Filosofia para Crianças, moda recente que se dispõe a aumentar o desenvolvimento do raciocínio, o desenvolvimento cognitivo, afectivo e social das crianças, poderá também ser prejudicial.
Segundo algumas investigações recentes, alguns autores poderão mesmo ter contra-indicações e poderão ter de ser retirados do mercado. “São Tomás de Aquino poderá aumentar as probabilidades da criança ser vítima de bullying, Michel Foucault leva a criança a ser um “queixinhas”, Albert Camus leva os putos a serem ansiosos, ciumentos, possessivos, a chamarem a atenção por tudo e por nada e a apaixonarem-se pelos amigos imaginários sem serem correspondidos. Hegel, Espinoza ou John Locke não fazem nada de especial, apenas provocam enurese nocturna até aos 30 anos de idade”, ironizou o investigador."

Mais informações AQUI.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DIFERENÇA ENTRE COACHING E CONSULTORIA FILOSÓFICA








Segundo a International Coach Academy, um coach pode oferecer vários serviços ao cliente que o procura, como por exemplo:


1. Apoio na descoberta de respostas dentro de si mesmo

2. Esclarecimento de valores

3. Ajuda na criação de um plano sobre como alcançar o que o cliente realmente quer

4. Um ouvinte activo para novas ideias

5. Apoio na tomada de decisões que alteram a vida do cliente

6. Desafio para expandir seus pontos de vista para além das suas limitações

7. Direccionamento

8. Reconhecimento

9. Encorajamento

10. Fonte de informação


Outra das ideias que esta Academia apresenta é igualmente importante ter em conta:
"Coaching não é terapia, aconselhamento ou psicologia."

Por fim, deixamos-lhe com a ideia que mais interessa aos Consultores do nosso Gabinete:
"O Coaching e a Consultoria


O coaching é frequentemente relacionado à consultoria. No entanto, há diferenças distintas entre essas duas disciplinas.


Um consultor é geralmente um especialista em uma área específica. Eles são contratados com o intuito de darem recomendações e fornecerem soluções. O consultor trabalha com um cliente de forma a solucionar um problema em particular ou a visar uma questão específica. Uma vez que o problema é solucionado, ou a questão resolvida, o consultor vai embora. Geralmente, o consultor não se envolve em assuntos que estejam fora da sua área de especialidade.


O coaching usa uma abordagem mais holística. Juntamente com o cliente, o coach examina a situação, cria um plano de ação e trabalha lado a lado para resolver o problema. O coach não precisa ser um especialista na área em que o negócio do cliente se enquadra. O próprio cliente é o especialista nessa área. O coach colabora com o cliente para criar uma solução utilizando o conhecimento e as respostas do próprio cliente."

FONTE: ICA

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CONTACTO PARA ENTREVISTA

O nosso Gabinete foi contactado por um orgão de Comunicação Social nacional para a realização de um Programa sobre Filosofia para Crianças.

Dado que o nosso Gabinete não desenvolve essa área da Filosofia Aplicada, solicitamos aos colegas que assim estiverem interessados, que entrem em contacto com o Secretariado do Gabinete PROJECT@.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MARX, O FILÓSOFO MAIS INFLUENTE DE SEMPRE?








"Em 2005, num inquérito da BBC, Marx foi considerado o filósofo mais influente de sempre. Outros alemães tiveram influência decisiva no pensamento contemporâneo: Kant, com o 'imperativo categórico'; Hegel, com a sua dialéctica; Nietzsche, ao proclamar a morte de Deus e a eterna vontade de poder do homem." (Pedro Correia IN Diário de Notícias)

FONTE: DIÁRIO DE NOTÍCIAS

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SUGESTÃO DE LEITURA


SUICÍDIO E FRACASSO

A propósito da conversa de Jorge Humberto Dias com João Paulo Meneses na TSF, lembrámo-nos de um professor que escreveu, um dia, numa tese, o seguinte:

“Não foi sem motivo que um amigo me sussurrou, um dia, diante de um suicídio: ‘Hoje, todos fracassamos’. No fundo, ‘ninguém se suicida sozinho’" (A. Artaud IN BAUTISTA, Mateo; CORREA, Marcelo. Ajuda perante o suicídio. São Paulo: Paulinas, 2000, p. 6)

Para os interessados neste tema, sugerimos alguns filmes que nos podem ajudar a reflectir sobre o tema da morte e do sentido da vida:

- The Bucket List;
- City of Angels;
- As Horas;
- Ghost;
- Dead Man Walking;

terça-feira, 27 de outubro de 2009

NOVA DIRECTORA DO TEATRO TRINDADE É LICENCIADA EM FILOSOFIA



Cucha Carvalheiro é a tia Mercês na telenovela da TVI «Flor do Mar».

Sabia que Cucha Carvalheiro também é licenciada em Filosofia?

Mais informações sobre o Curriculo da actriz AQUI.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CARLOS TÊ RECONHECE QUE A FILOSOFIA MUDOU A SUA FORMA DE PENSAR...



Numa entrevista dada à Revista de Domingo do Correio da Manhã, Carlos Tê, autor de uma das letras que mais celebrizou Rui Veloso -«Chico Fininho» - referiu que começou a sua formação pela licenciatura em Filosofia. Ao mesmo tempo que reconheceu que essa experiência académica alterou para sempre a sua forma de pensar a vida, afirmou que nunca chegou a exercer qualquer actividade profissional na área da Filosofia.

Posto isto, aproveitamos para motivar a reflexão dos leitores do nosso Gabinete:

1. Como já aqui demonstrámos, muitas são as pessoas famosas que realizaram a licenciatura em Filosofia;

2. Estará a licenciatura em Filosofia "condenada" a ser apenas uma experiência académica, realizada no estrito âmbito da realização pessoal de cada um? (chame-se a atenção para o facto de aqui estabelermos uma forte e intencional distinção entre a «realização pessoal» e a «realização profissional»);

FONTE DA FOTO: ROCK EM PORTUGAL

domingo, 25 de outubro de 2009

TSF REALIZA PROGRAMA SOBRE CONSULTORIA FILOSÓFICA











No próximo dia 30 de Outubro, 6ª feira, e por ocasião do «Dia de Finados» e do «Dia de Todos os Santos» (1 e 2 de Novembro), a TSF vai realizar um Programa Especial sobre o tema da MORTE.

Para abordar esse tema, o convidado será o Dr. Jorge Humberto Dias.

O objectivo do Programa será compreender o modo como a CONSULTORIA FILOSÓFICA trabalha a questão da morte com os consultantes que aparecem no Gabinete a solicitar uma consulta filosófica.

sábado, 24 de outubro de 2009

GOVERNO E FILOSOFIA






A questão da relação entre o Governo e a Filosofia já não é recente. Remonta aos tempos da Grécia Clássica, onde alguns autores referem a ideia do Filósofo-Rei.

Ao longo da história, muitos foram os filósofos que tiveram actividade política.

No domínio da Educação, recordamos as intervenções de Luc Ferry, em França, como Ministro da Educação e de Manuel Maria Carrilho, em Portugal, como Ministro da Cultura.

Actualmente, Espanha e Portugal, também optaram por um Ministro(a) da Educação licenciado(a) em Filosofia.

Assim, em Portugal, o novo Governo anunciou Isabel Alçada para a pasta da Educação.

   "59 anos, escritora. Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston. Ex-administradora da Fundação de Serralves (2000-2004). Professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Lisboa. Exerce actualmente funções como Comissária do Plano Nacional de Leitura."

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

GILLES LIPOVETSKY EM PORTUGAL


Hoje, dia 27 de Outubro, Gilles Lipovetsky vai estar num Congresso sobre Consumo, organizado pelo Instituto Português de Administração e Marketing - Aveiro.

Mais informações em IPAM

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ACÇÃO DE FORMAÇÃO CREDITADA - QUARTEIRA

O Instituto FAUST, em parceria com o Centro de Formação de Professores da Ria Formosa (Faro/Olhão) e o Gabinete PROJECT@, vai realizar uma Acção de Formação Creditada para Professores de Filosofia.

Título: «Filosofia, Educação e Aconselhamento»
Créditos: 1
Duração: 25 horas


Datas das Sessões: 17/11/09, 24/11/09, 15/12/09, 12/01/10, 26/01/10, 09/02/10, 23/02/10, 09/03/10, 23/03/10 e 13/04/10

Horário: das 19h às 21h30

Formador: Dr. Jorge Humberto Dias

Inscrições:

Telefone: 289 826007
E-mail: gp-portugal@iol.pt  

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DIRECTOR DA UNIMED ESCREVE ARTIGO SOBRE CONSULTORIA FILOSÓFICA








Numa pesquisa realizada pelo nosso Gabinete, encontrámos um Artigo sobre Consultoria Filosófica, escrito por um Médico, Director da UNIMED - o Dr. João Modesto Filho.

Chamamos a atenção para o facto da importância dada pelo médico ao trabalho realizado pelo Consultor Filosófico, assim como ao conhecimento demonstrado relativamente à história do Aconselhamento Filosófico.

Citamos aqui a conclusão, mas sugerimos a leitura integral do artigo.

"Chama a atenção o fato de que esse tipo de consulta não busca nem persegue o diagnóstico de uma doença para estabelecer um tratamento, que é a característica de qualquer consulta de saúde física ou mental, seja ela ortodoxa ou heterodoxa. No entanto, embora criticada por alguns setores, existe a possibilidade de que essa nova abordagem ajude a desmedicalizar muitos problemas que não são propriamente médicos - como a solidão, a separação, o luto - ajudando a superá-los e fazendo com que a vida do então “enfermo” adquira um novo sentido."

Leia AQUI o artigo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

CURSO DE CONSULTORIA FILOSÓFICA EM LISBOA











Data: 18 de Outubro de 2009 (Domingo);

Duração: 5 horas;

Local: Auditório da Associação ABRAÇO
Largo José Luís Champalimaud, n.º 4 A
1600-110 Lisboa;
(entre a Rua Portugal Durão e a Rua Soeiro Pereira Gomes - junto ao antigo mercado do Rego)


Veja AQUI o mapa

Programa:

1. Introdução à Consultoria Filosófica;
2. Fundamentos Epistemológicos;
3. Metodologias de Trabalho em Consulta:
- Progress e PROJECT@;
4. Sessões Práticas;
5. Questões Profissionais;

Horário: 10h - 13h e 15h - 17h

Preço: 35 Euros (pagos no local, no início do Curso) ;

Inscrição: Enviar email com NOME, TELEMÓVEL, PROFISSÃO - gp-portugal@iol.pt

Organização: Dra. Conceição Machado

APOIO:



WEB: ABRAÇO

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ACÇÃO DE FORMAÇÃO CREDITADA - BEJA


O Centro de Formação da Associação de Escolas das Margens do Guadiana está a organizar uma Acção de Formação Creditada para Professores.

Título: «A Teoria dos Valores e a Ética na Perspectiva do Método Dialéctico

Formador: Dr. Limpo Queiróz

Inscrições:
Telefone: 284328063
E-mail: cfmguadiana@gmail.com

Directora do Centro de Formação: Dra. Francisca Moreira

Prazo de inscrição: 5ª feira, dia 8 de Outubro de 2009.

Créditos: 2 créditos
Duração: 50 horas

Local de Formação: Escola Secundária Diogo de Gouveia (Beja)

domingo, 4 de outubro de 2009

DA FILOSOFIA PARA A ENGENHARIA

No Jornal Público de hoje, 4 de Outubro de 2009, encontrámos uma notícia curiosa:

"Discurso articulado, espírito crítico, opiniões fundamentadas. Patric Figueiredo, 18 anos, é o cabeça de lista pelo Bloco de Esquerda à Assembleia de Freguesia de Escapães, no concelho de Santa Maria da Feira." (P2, pág. 9 - por Sara Dias Oliveira)

Ao lermos toda a notícia, verificamos que este jovem tem a ambição de, um dia, vir a ser Presidente de Junta e Deputado.

Já esteve ligado ao Partido Socialista. Estuda na Universidade de Aveiro.

A questão que despertou a atenção do nosso Gabinete vem a seguir:

"(...) Queria seguir Filosofia, mas decidiu jogar pelo seguro. Com o curso de Filosofia, o único caminho seria a docência. (...)"

Chamamos a atenção dos nossos leitores e visitantes para um conjunto de aspectos identificados nesta notícia:

- a ideia de que a Filosofia não tem um futuro profissional diverso;

- a certeza de que este jovem tem um importante interesse pela Filosofia;

Está aberto o debate! Comente abaixo por favor.

FONTE: JORNAL PÚBLICO

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O CASO DE DINO


" O Dino era um rapaz com 28 ou 29 anos, que estava em plena crise existencial. Já tinha lido alguns livros de Filosofia, sobre o Existencialismo, sobretudo devido à palavra. Um dia, quando consultou um Psicólogo, fixara o que este dissera no diagnóstico: o Dino não tem problema nenhum grave, é apenas uma crise existencial, com a qual deve ter algum cuidado. Passado algum tempo, ao pesquisar na Internet, deparou-se com uma página sobre o Existencialismo Francês, e lembrou-se que tinha falado sobre esse assunto na Escola, mas já não recordava quase nada. Assistente Social, o Dino dedicava o seu pouco tempo livre a ler livros sobre o Existencialismo. No momento em que me consultou, estava a ler o Mito de Sísifo de Albert Camus. E o seu pensamento ficou mais confuso quando leu aquela frase, logo no início, em que o autor diz que o único problema filosófico sério é o suicídio.
O Dino perguntava-me agora se algum dia seria capaz de se suicidar, ou seja, o Dino tinha consciência de que naquele momento não era capaz de o fazer, nem tinha interesse nisso, pois gostava muito de si, apesar da crise em que se encontrava. Perguntei-lhe se queria começar por falar da sua crise, para tentarmos compreender melhor ou se queria já abordar o tema do suicídio, ou outro qualquer. O Dino escolheu a sua crise existencial.
Perguntei-lhe então o que entendia por crise, ao que me respondeu que era uma fase de muito pessimismo, de fuga ao mundo, de sensação de solidão e de carência afectiva. Perguntei-lhe se se sentia nervoso, com insónias, suores frios… Não, nada disso. Mas havia uma «coisa» que ele não sabia gerir e que talvez justificasse esse estado. Qual? – perguntei. A morte de toda a minha familia – afirmou de imediato e com um olhar mais triste. Foi há três anos, num acidente. Pai, mãe, dois irmãos e avós da parte da minha mãe. Eu não fui de férias com eles, porque o trabalho só me dava férias no mês a seguir. Fiquei sozinho em casa. Quando soube da notícia, foi um choque, como deve imaginar – contou o Dino.
Depois do acompanhamento feito pelo seu médico de família em conjunto com uma Psicóloga, a sua recuperação foi mais rápida e fácil. O Dino sentia-se mais forte agora, e por isso, o que o levava a uma consulta de Filosofia eram outras questões mais pessoais, de curiosidade, e como não tinha nenhum curso de Filosofia, nem estava matriculado numa Universidade, pensou em experimentar o Aconselhamento Filosófico, para trocar algumas ideias sobre a teoria de Albert Camus e a questão do sentido da vida. A questão de há pouco voltava a surgir no diálogo: correria o perigo, devido à catástrofe de que fui vítima, de um dia ter pensamentos suicidas? E porque é que o pensamento de Albert Camus era tão pessimista? Não haveria outro Filósofo que pudéssemos utilizar para contrapor, e que fosse mais optimista? Dino abordou-me com tantas curiosidades que lhe perguntei se poderia começar pela última. Foi então que lhe apresentei
um livrinho que tinha comprado há poucos dias na FNAC do Algarve Shopping: Elogio da Sinceridade, de Montesquieu. Perguntei-lhe o que achava das «verdades dolorosas» da vida. O diálogo começou pela análise de um episódio de uma telenovela da TVI, em que o marido tinha sido sincero com a sua esposa, dizendo que a tinha traído na noite anterior. Dino disse-me que tinha discutido esta cena com a sua namorada, a qual não reconhecia qualquer valor à sinceridade do homem que traiu, porque para ela a traição foi um contravalor mais forte e decisivo para caracterizar os sentimentos desse homem. Por outro lado, o Dino reconhecia a virtude do homem em ter tido a coragem de dizer a verdade, e seguidamente ter dito
que amava a sua esposa. Dino queria agora saber a minha posição.
De facto, como já deve ter reparado, os clientes das consultas pretendem sempre saber o que nós pensamos, tal como os alunos nas Escolas querem sempre saber a nossa opinião sobre as matérias. Trata-se de uma questão que deve ser gerida com sensibilidade e medida. Por um lado, há Conselheiros, como é o caso de Tim Lebon, que consideram que não se deve falar da vida pessoal, por outro lado, como por exemplo Shlomit Schuster, diz-se que temos de criar um certo clima de amizade.
A posição de Dino era muito próxima da posição de Montesquieu.
Explorámos a questão e o Dino concluiu que o importante era ser transparente para si próprio, de modo a viver tranquilo com a sua consciência.
Ao falar da amizade, Montesquieu dizia exactamente isso, e que só o homem sincero era digno da autêntica amizade e felicidade. Nesse momento, Dino referiu que tinha um amigo desde os 6 anos de idade e que era o seu melhor amigo. O problema é que ele estava longe, muito longe, e raramente se viam. Quando se viam, contavam quase tudo um ao outro, e as partilhas eram de tal modo intensas que a vida ganhava outra cor nesses momentos. O difícil eram os momentos de despedida. Para combater a distância, costumavam trocar imensos e-mails, SMS’s e, no início, até cartas enviavam um ao outro. Nas férias costumam encontrar-se e ir para qualquer lado a quatro, ou seja, com as respectivas namoradas.
Perguntei ao Dino se ele via essa amizade como um projecto. Era mais uma questão de sentimento – respondeu-me. Mas depois de pensar melhor, considerou que sim, pois era necessário programar tudo para que fosse posivel viver momentos de amizade. Mas era um projecto muito especial, que ele guardava com muito carinho. Dino era um rapaz reservado,
falava pouco, envergonhava-se com facilidade. E como não tinha grandes relações com outras pessoas, esta amizade ganhava uma importância muito maior.
Achei que era o momento oportuno para aplicar o meu método «Project@». Depois de ter identificado este projecto na vida do cliente, procurei algo mais. Dino falou-me de um sonho: ser político e contribuir um pouco para mudar as injustiças deste país. Perguntei-lhe se isso não era possível.
Difícil – respondeu. A sua vida profissional não permitia. Horários sempre incertos, muita pressão, deslocações constantes, tudo dificultava o acesso ao ensino superior. Depois de analisarmos em conjunto a estrutura de um projecto, o Dino disse-me de imediato que tinha mais projectos, e eram eles que davam sentido e alegria à vida. Aí perguntei: então porque é que está
em crise existencial? Dino fez silêncio durante cinco segundos e disse: talvez porque nunca tenha valorizado os meus projectos de modo tão consciente como estou a fazer agora. Se tudo parecia mais claro agora, o passo seguinte não trazia facilidades. Relacionar o projecto com a vida do cliente (valores e sentido) levou-nos a considerar um outro problema: a sua namorada, apesar da boa relação que tinham, não o motivava muito, porque não queria que ele saísse da cidade e também porque o tempo que tinham para namorar era já muito pouco. Dino sentia-se sozinho no seu projecto.
Passadas duas semanas, Dino regressa para outra consulta e podermos continuar a nossa reflexão crítica. Dino começa por sorrir e dizer que esteve a falar com o seu melhor amigo, e que lhe contou tudo o que tínhamos falado na consulta anterior. O amigo estava do lado dele e achava
que ele deveria investir na sua carreira.
Dino estava agora mais que preparado e entusiasmado para realizar o próximo passo: agrupar projectos e definir aplicações. Sem me questionar, nem pedir opinião, decidiu que ia passar um fim-de-semana com o seu amigo. Disse-me efusivamente que iria ser perfeito, porque enquanto
estava com o seu melhor amigo, com quem partilhava os seus segredos e angústias, iria definir estratégias e começar a preparar a sua candidatura de acesso ao ensino superior, ouvindo e trocando ideias com o Baltasar, seu amigo de infância.
Avançamos sem receio para o nível cinco – reforçar a «filosofia de vida» do cliente. Dino estava no caminho certo, sentia-se bem e racionalmente tinha decidido o melhor para si. Quando lhe perguntei se se considerava uma pessoa em crise, disse-me que isso era já coisa do passado,
apesar de ainda existirem momentos de tristeza, mas que agora tinha um sentido, um caminho, que o motivava sempre. As crises passaram a ser simples momentos passageiros na sua vida.
Para terminar, ao verificar a sua realidade e importância, deparei-me com uma dificuldade: alguns conflitos no local de trabalho. O Dino era agora alvo da inveja de alguns colegas. Perguntei-lhe se isso o incomodava muito. Disse-me que sim, porque aquele local de trabalho tinha um significado muito especial para ele. Perguntei-lhe se havia algum modo de resolver
o problema. Dino arrumou-me logo: a função pública é um mundo à parte, não existem mecanismos para resolver problemas. Perguntei-lhe se a sua instituição não tinha Comissão de Ética. Não – respondeu. E Código de Ética. Acho que tem lá uma folhas com uns princípios escritos, mas que ninguém lê nem sabe muito bem o que é, para que serve e como
se aplica – disse.
Ficou marcada uma sessão para explorarmos esses conflitos éticos no local de trabalho e eventuais estratégias de resolução."

FONTE: Jorge Dias, "Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor. Lisboa. Ésquilo e APAEF. 2006.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PROFESSOR DE FILOSOFIA CANDIDATO A PRESIDENTE


Segundo o Semanário SOL, António Mourão, professor de Filosofia reformado, é candidato à Presidência da Junta de Freguesia da Cedofeita.

O candidato é o "primeiro invisual português a assumir-se como cabeça-de-lista a um órgão de poder".
Leia AQUI a notícia completa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

FELICIDADE OU VERDADE?

Qual deverá ser o objectivo principal de uma Consulta Filosófica? A Felicidade ou a Verdade?

Deixe-nos o seu comentário abaixo, por favor.

É para nós importante promover o debate sobre esta questão.

Muito obrigado pela sua participação e interesse.

sábado, 15 de agosto de 2009

COLEGAS DE PROFISSÃO...


Hoje, numa esplanada em Vilamoura, um Consultor Filosófico perguntava a um colega de profissão: "O que devo fazer quando também eu preciso de uma consulta filosófica?"

terça-feira, 28 de julho de 2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O CASO DE D. ISABEL - CONSULTORIA FILOSÓFICA


"A D. Isabel consultou-me uma única vez. Era dona de casa, como se costuma dizer, e raramente pedia ajuda a quem quer que fosse. Mas uma amiga sua tinha falado em mim (...).

A D. Isabel queria saber como lidar com uma pessoa depressiva, que vivia com ela todos os dias. Grande desafio para uma sessão de 50 a 60 minutos. E a questão tinha de ser resolvida numa única sessão, porque a senhora não tinha tempo nem dinheiro para perder com "desperdícios". Estava ali para que eu lhe resolvesse o problema e lhe desse a minha opinião.
De início, a cliente sofria imenso, porque era maltratada por esse familiar, que com o tempo se tornara cada vez mais agressivo e ofensivo.
Apesar de neste momento a situação estar mais calma, pois esse familiar tinha iniciado um tratamento à base de antidepressivos… Mas como já era o quarto tratamento, a D. Isabel receava que o pior voltasse. E a sua paciência estava a chegar ao fim. A D. Isabel receava que tivesse de tomar medidas e mandar o familiar embora da sua casa. A situação não podia
continuar assim. Perguntei-lhe se já tinha consultado um Psiquiatra. A D. Isabel disse que não era ela que tinha o problema, mas sim o familiar. E eu disse que o Psiquiatra poderia ser muito útil também, porque a sua experiência com estados depressivos altamente patológicos permitiria aconselhar a D. Isabel a gerir melhor a relação com o seu familiar.
Então e o Dr. Jorge Dias não tem opinião? – perguntou. A cliente queria mesmo saber o que pensava eu da situação. Tentei saber o que pensava a D. Isabel acerca dos problemas do familiar.

Explorámos a questão do seu desemprego, até que chegámos às questões da falta de diálogo, baseada numa mentira que esse familiar tinha dito há umas semanas atrás. Esta situação fez-me lembrar um artigo que tinha lido sobre a Ética Aplicada de Rawls e Habermas. Sem referir nomes nem teorias, como é óbvio, perguntei à D. Isabel se havia mais alguém a viver lá em casa. A senhora disse que sim, o seu marido e uma irmã. Depois perguntei se não havia ninguém que pudesse estabelecer um diálogo entre os dois, no sentido de tentar abordar a questão de modo calmo, sério e inteligente. «Sim, a minha irmã é capaz de ter jeito para essas coisas» – respondeu a D. Isabel. «Então é simples, fale com ela, explique-lhe a situação, diga-lhe quais são os seus argumentos (pense muito bem antes de os escrever) e depois peça-lhe para falar com o seu familiar e para lhe pedir também um papel com os argumentos dele sobre a situação. Aí a sua irmã verifica se pode resolver ela a situação, caso contrário, trocam de papéis e ambos comentam ou marcam um dia para conversarem a sério sobre o assunto. Creio que pode aproveitar esta oportunidade em que o seu familiar está em tratamento antidepressivo para resolver definitivamente este diferendo. Provavelmente, a divergência desaparecerá, dado que são familiares». A D. Isabel concordou totalmente com a minha perspectiva, que no fundo não era minha, mas a estratégia de muitos especialistas em Ética Aplicada, sobretudo em situações de conflito de valores em Empresas e outras Instituições. Um dia um advogado amigo dizia-me: é preciso ter muito cuidado com o deteriorar das «relações» entre as pessoas, e a melhor forma para resolver um conflito entre pessoas muito emotivas e que têm dificuldades de expressão oral é através do «método dos papelinhos».

Em Ética pessoal, também podemos aprender com esta estratégia, e perceber, por exemplo, a Teoria dos Jogos, que ajudou dois cientistas a ganharem, em 2005, o Prémio Nobel da Ecomomia.

Quando nada fazia prever, a D. Isabel, no final desta consulta, disse-me que queria marcar outra consulta, pois tinha gostado muito de conversar comigo, mas que tinha de ser para o mês de Abril, pois tinha uma viagem marcada para França, onde ia visitar um familiar que estava muito doente."


FONTE: Jorge Dias, Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor, Lisboa, Ésquilo [e APAEF], 2006.

domingo, 19 de julho de 2009

CURSO DE VERÃO: «ANÁLISE DE CONFLITOS» EM CONSULTORIA FILOSÓFICA - 7 DE AGOSTO



Nome do Curso: «Análise de Conflitos»

Área: Consultoria Filosófica

Data: 7 de Agosto de 2009

Horas: 16h - 19h30

Local: FAUST - Instituto de Lingua e Cultura, Lda. Rua do Forte Novo, 75 - 8125 Quarteira. Telefone: 289 301 356 / 91 943 73 77 / 93 117 5535. E-mail: info@faust.pt

Preço: 25 €uros /20 € para estudantes (inclui material de trabalho)

Solicite o Folheto do Curso em: gabineteproject@mailworks.org

Os problemas familiares do jovem levaram-no a estar em constante conflito com o mundo. Sentia-se incapaz para ter sucesso. Não tinha projectos.” (Jorge Dias, Filosofia Aplicada à Vida, p. 175)

Um dos exemplos cuja acção difusa e insinuante pode comprometer o trabalho de um grupo ou mesmo a marcha geral de zonas inteiras do trabalho social é a inveja.” (José Gil, Portugal, Hoje: O Medo de Existir, p. 90)

(…) nesta multiplicidade de pontos de referência o conflito entre os indivíduos surge inevitavelmente. A moral procura então o seu fundamento já não numa teoria do bem moral, mas na gestão teórica e prática dos conflitos que surgem sempre das diferenças entre opiniões morais divergentes.” (Isabel Renaud, Ética: com que Fundamentos?, p. 26, IN Actas do III Seminário do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

COLECÇÃO DE FILOSOFIA PARA CRIANÇAS


PLATÃO
Infantil / Juvenil, Filosofia e Poesia
Páginas: 32ISBN: 8586225479
Publicação: 2006
Formato: 16 cm x 15 cm
R$ 12,00
A Colecção Filosofinhos, coordenada por Maria de Nazareth Agra Hassen, convida o leitor a conhecer um pouco da filosofia, acompanhando histórias cujos personagens são grandes filósofos quando ainda eram pequenos...
Nessas histórias, os pensadores são crianças, mas já apresentam algumas das suas ideias revolucionárias. Todas as crianças são naturalmente curiosas, característica fundamental para procurar o saber, e a filosofia introduzida de forma lúdica favorece a exploração do mundo do conhecimento.
Esta colecção também ajuda os adultos a pensarem o mundo e a compreenderem as crianças, mas mostra principalmente como é bom ser curioso e perguntador. Para os adultos (pais, educadores e professores) cada volume inclui uma pequena biografia do pensador retratado, além da sugestão de outras leituras para aprofundar o conhecimento.
As histórias são bilingues português/francês, pois a colecção tem como propósito alargar as fronteiras da criança, mostrando-lhe que a mesma história pode ser lida em outra língua.
Também visando estimular o pensamento crítico e uma relação ser humano/natureza mais sadia, a Colecção Filosofinhos/Les Petits Philosophes é impressa em papel reciclado.

sábado, 11 de julho de 2009

PENSAMENTOS DA SEMANA


"Toma conselhos com o vinho, mas toma decisões com a água." (Benjamin Franklin)


"A filosofia é um bom conselho."(Séneca)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Marcelo Rebelo de Sousa apresenta «Ética a Nicómaco»

A apresentação do livro «Ética a Nicómaco», de Aristóteles, editado pela Quetzal, estará a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa, mas também do padre Tolentino de Mendonça.

A apresentação da obra vai decorrer no dia 29 de Junho, segunda-feira, na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa, às 18h30.

«Ética a Nicómaco trata da felicidade como projecto essencial do ser humano. Das virtudes, da sensatez, do que se pode e do que se deve fazer. Trata da possibilidade de se existir de acordo com as escolhas que fazemos. De se ser autónomo, de viver com gosto. Trata da procura do prazer pelo prazer - e do prazer pela honra. Da justiça. Das formas de vida que levam à felicidade. Da procura do amor. É um livro fundamental para a cultura do ocidente»

Fonte: Diário Digital

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Metro de Londres oferece dose diária de filosofia

Turistas e residentes que a partir desta quinta-feira utilizem o metro de Londres vão ouvir frases célebres de filósofos como Jean-Paul Sartre, Mahatma Ghandi e Albert Einstein. O objectivo é transmitir a mensagem de que não é essencial chegar rapidamente à estação de destino.
A ideia partiu do Serviço de Transportes londrino, que encarregou o vencedor do prémio Turner de Arte Contemporânea Jeremy Deller a compilar as melhores reflexões filosóficas para «humanizar» o trajecto do metro.
«A vida é mais do que aumentar a velocidade», de Mahatma Ghandi, ou «um tropeço previne a queda», do escritor britânico Thomas Fuller, são algumas das frases que os passageiros irão ouvir.
Num primeiro momento, a ideia de Deller era substituir os tradicionais anúncios sobre a situação das linhas por essas «lições de filosofia». No entanto, ficou decidido que os dois tipos de mensagens serão alternados.
Segundo a responsável pelo projecto, Sally Shaw, o objectivo é «melhorar a interacção» entre os utilizadores e «fazer fluir os pensamentos que cada um tem durante a viagem».

Fonte: Diário Digital

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Filosofia para crianças – Aprender a Pensar


Os docentes de Filosofia da escola de Paredes de Coura iniciaram e desenvolveram este ano lectivo um projecto de Filosofia para crianças (1º ano do 1º ciclo e no 5º ano do 2º ciclo), que embora já com tradição em vários países é pioneiro na escola pública portuguesa.

Fonte: DN

terça-feira, 16 de junho de 2009

«A Filosofia do ritmo portuguesa» apresentado sexta-feira


O livro «A Filosofia do ritmo portuguesa», de Rodrigo Sobral Cunha, é apresentado sexta-feira no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) numa sessão que conta com a participação de Carvalho Rodrigues (pai do satélite português) e que será moderada por Alexandre Quintanilha.
Rodrigo Sobral Cunha é um filósofo que tem desenvolvido trabalho num modelo do conhecimento, de origem portuguesa, baseado no «ritmo».

A Filosofia do Ritmo, como se lê na sinopse do livro, «apresenta-se como um modelo de conhecimento para o qual o ritmo é a própria energia de existência e bem assim o princípio unificador da Física, da Biologia e da Psicologia».

O livro será debatido pelo ex-director do Programa de Ciências da NATO Fernando Carvalho Rodrigues, um cientista português que já recebeu diversos prémios e condecorações, dos quais se destacam o Pfizer (1977), a comenda da Ordem Militar de Santiago da Espada (1995) e doutor Honoris Causa (1995) pela Universidade da Beira Interior.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O CASO DE CHRISTINA


"A Christina é uma senhora dinamarquesa que está em Portugal por questões meramente profissionais. É uma gestora de sucesso, mas nunca se conseguiu adaptar à cultura portuguesa, ao modo como a sociedade está estruturada. Havia consultas em que passava mais tempo a ouvi-la falar das duras críticas à mentalidade portuguesa, ao procedimento típico nas instituições, ao constante apelo à corrupção, ao enganar o próximo, ao aproveitar-se das situações e à falta de educação no espaço público. Todos os dias, a Christina tinha que fazer um esforço enorme para não discutir com colegas, «subordinados incompetentes», clientes, fornecedores, etc.
Mas o problema desta senhora era o seu companheiro. David estava completamente diferente. Quando o conheceu, ele era carinhoso, compreensivo, um excelente conversador e trabalhador. Trabalhavam os dois na mesma empresa. Mas agora tudo tinha mudado. A sua vida era um inferno.
E para não sofrer tanto, tinha decidido entregar-se ao trabalho e consultar-me todas as semanas. Já vamos na 12ª consulta.
O que mudou então? O seu companheiro também nunca se conseguiu adaptar a Portugal, e todo o «stress» da situação, sobretudo a dificuldade em lidar com esta dificuldade, levou o David para a bebida, para as saídas à noite com amigos e amigas… e o pior, para a violência com Christina.
A cliente estava proibida de fazer muitas coisas: não podia falar com homens (mas comigo o marido deixava, porque eu era visto como um «técnico de saúde espiritual» – dizia-lhe ele), não podia sair à noite, tinha de fazer tudo o que David pedia. Sentia-se um «farrapo humano». Tinha medo de contar a sua história a alguém, pois temia que lhe acontecesse o pior.
De imediato, perguntei-lhe se já tinha falado com alguma Instituição.
Christina disse que a situação era passageira, porque David estava a ser acompanhado por um Psiquiatra. E assim que o seu problema fosse curado, a sua vida voltaria ao normal. Perguntei também porque é que a Christina também não tinha pedido ajuda a um Psiquiatra, ao que me respondeu que tinha o seu psiquismo controlado. O seu único problema era com a vida e com o seu companheiro. Queria encontrar um argumento forte para continuar a acreditar que a sua felicidade iria voltar… Ainda falamos de mais coisas, mas nada se adiantou.
O que me parece importante relatar aqui é a questão filosófica que discutimos na oitava consulta: perguntei à Christina porque estava a viver com o David. Porque o amava – disse-me. Mesmo quando lhe bate? Sim, porque compreendo as suas razões. Quais? A sua doença e os seus problemas, com os quais me identifico. Ele é a minha alma gémea – disse.
Perguntei-lhe qual era a sua definição de amor. Aí começaram as dificuldades conceptuais. Christina disse que eu fazia perguntas muito difíceis.
Se assim é – disse-lhe –, então, talvez seja melhor parar a consulta… A cliente fez questão de prosseguir, e justificou as suas dificuldades, devido ao facto de nunca ninguém lhe ter feito essa pergunta. Mas via isso como um desafio. Depois de desenvolvermos as questões mais comuns, reperei e disse-lhe, que não tinha encontrado ainda, na sua definição, a violência como forma de expressar o amor que se tem por alguém. Mas isso é uma excepção, um caso à parte – explicou Christina.
Depois de abordarmos valores como a fidelidade, o respeito, a sinceridade, o carinho, a paz, a cumplicidade, etc., a cliente foi deixando de argumentar a favor do seu amor por David. Até que admitiu que estava a forçar uma situação. Tinha plena consciência de que o seu pensamento estava errado, mas como ainda lhe custava muito dizer ao mundo e a si mesma que a sua relação e a sua felicidade tinham terminado, Christina vinha adiando. Depois porque ninguém desconfiava de nada, o seu sucesso profissional era o mais visível.
Foi na décima consulta que Christina vinha com uma vontade enorme de explorar a questão da Felicidade. Tinha visto na Internet que esse era um tema a que eu me dedicava a investigar. Falei-lhe de várias teorias e autores, como Platão e Sócrates, Aristóteles, Santo Agostinho, Kant,
Freud, Julián Marias. Foi sobre este último que a cliente teve mais curiosidade.
Sabia que o Filósofo espanhol tinha falecido há pouco tempo, e tinha deixado um obra imensa, mas o destaque ia para um livro sobre a e Felicidade, com 386 páginas. Incrível como esse senhor conseguiu escrever tantas páginas sobre esse tema… – dizia-me Christina. Será que houve mais alguém que escrevesse tantas páginas? – perguntou. Sim, houve recentemente um Psiquiatra espanhol que escreveu Uma Teoria da Felicidade mas que tem muitas influências de Julián Marias – respondi. E acrescentei ainda: aliás, Enrique Rojas, seu nome, apresenta a Felicidade como um «impossível necessário», conceito desenvolvido por Julián Marias,
mas que o Psiquiatra espanhol não revela.
Christina pretendia saber também qual a minha definição de felicidade, e fomos falando, debatendo… Têm sido assim as últimas sessões. E com isto a sua auto-estima melhorou consideravelmente, tornando-se mais optimista, ao ponto de agora estar a viver com a irmã. Ao contrário do que seria de esperar, o companheiro concordou ser a melhor solução, devido à sua debilitação psicológica, que não conseguia evitar sozinho.
Por vezes, os preconceitos do nosso quotidiano misturam-se de tal forma com as emoções e as crenças, que nos impedem de ver claro os conceitos que na prática nos poderiam ajudar a percorrer outro caminho na vida."
FONTES:

Texto
- Jorge Dias, Filosofia Aplicada à Vida. Pensar Bem, Viver Melhor. Lisboa, Ésquilo, 2006.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

WORKSHOP PRÁTICO: «MORTE, SUICÍDIO E SENTIDO DA VIDA»


Data: 30 de Maio de 2009

Horário: das 15h às 18h

Local do Curso: Gabinete PROJECT@ - FAUST, Lingua e Cultura - Rua do Forte Novo, nº 75 - 8125 Quarteira

Formador: Dr. Jorge Humberto Dias



Preço: € 25,00 Estudantes - € 20,00 (inclui material de trabalho)

Pré-requisitos: Não tem

Destinatários: Professores Formadores Técnicos de Intervenção Social Técnicos de Relações Públicas Técnicos de Saúde Psicólogos Gestores Administradores (públicos e privados) Coordenadores de Departamento Alunos (Secundário e Universidade) e todos os cidadãos interessados no tema

Programa:

Introdução à questão da morte como horizonte vital;
Análise do problema do suicídio;
Exploração do sentido da vida como realidade humana;
Conclusões.

O que é um Problema Filosófico?

É algo que preocupa muito o pensamento de uma pessoa, para a qual parece não existir solução e que envolve, na sua resolução, dimensões filosóficas.

Em que pode a ajudar uma APLICAÇÃO DA FILOSOFIA?

A ter uma visão mais clara sobre o que preocupa a pessoa utilizando o pensamento crítico, a consciência da situação e a clarificação das ideias e valores.

"Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo o bem e todo o mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações.
A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efémera (...)".

Epicuro, Carta sobre a Felicidade, pág. 27.

" Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida, é responder a uma questão fundamental da filosofia. O resto (...) são apenas jogos. E se é verdade, tal como Nietzsche o quer, que um filósofo, para ser estimável, deve dar o exemplo.
Julgo, pois, que o sentido da vida é o mais premente dos assuntos. (...) Em todos os problemas essenciais, só há 2 métodos de pensamento (...)".

Albert Camus, Mito de Sísifo, pág. 15.

Exemplos de problemas filosóficos:

Desespero perante o futuro;
Indecisão perante dilemas;
Angústia perante a morte;
Dificuldades de gestão de conflitos;
Falta de sentido;
Frustração perante o desejo de felicidade.

A prática filosófica é uma «prevenção». A consulta deve acontecer antes que os problemas se tornem mais graves: patológicos, jurídicos, etc.

Informações e Inscrições: As inscrições são consideradas após a recepção da ficha de inscrição devidamente preenchida e o pré-pagamento confirmado.

Solicite a sua ficha de Inscrição/Informações através do número 289301356 - e-mail: info@faust.pt