quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ARTIGO: CRISTINA DUARTE, "Da aprendizagem de um ofício ao Conselheiro Filosófico"


Há dias descobrimos um artigo muito interessante. Escrito por uma médica fisiatra, a Dra. Cristina Duarte, foi com alguma surpresa que encontramos no seu artigo referências à profissão do CONSULTOR FILOSÓFICO nos hospitais. Este tema, há muito que tem vindo a ser analisado por vários especialistas da Filosofia Aplicada: desde a criação do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, até à realização de vários cursos de Mestrado em Bioética em Universidades portuguesas, passando pela Lei que obriga todos os Estabelecimentos de Saúde a terem uma Comissão de Ética.



Citamos aqui dois dos parágrafos que mais se relacionam com esta questão:

"(...)«A Filosofia da Vida Prática» chegou no roçar das 12 pela mão do Prof. Freitas Branco, filósofo de profissão e amante confesso do «Belo Canto» retive nas notas aqui ao meu lado a frase divinal a meio da palestra «o médico pode ser um assassino involuntário. Ver 30 doentes numa hora, 30 personalidades, 30 indivíduos...» Dissera no seu início, no dia abrasador de 37 graus no exterior, ignorados no conforto do fresco da sala: «Interrompam-me, por favor e não me deixem falar de mais», mas ninguém ousou naquela hora. Discursou sobre os primórdios da Filosofia e os seus primeiros iniciadores, foi concluindo e dando definições e sugestões: «a filosofia é a medicina da mente» «falta nos hospitais uma nova profissão: filosofia prática, aconselhamento filosófico, vai ser útil o quadro de conselheiro filosófico» vaticinou e prosseguiu: «Ajudar o outro em situação de fragilidade. Aplicar as regras da lógica. Semear racionalidade e autonomia. Que o outro adquira autonomia» Deixou-me a pensar, confesso. (...)

Quando 2ª feira, regressada de férias, uma das terapeutas do meu grupo de trabalho anunciou-se doente e desfeita de cansaço e falta de ar, a braços com uma infecção respiratória; outra relatou a fractura na anca da Mãe, internada no Hospital, 6 pisos acima do nosso, necessitando de suspender a actividade para lhe prestar assistência, naturalmente; a seguinte descreveu o desespero perante a paragem cardíaca da criança em tratamento, com necessidade de reanimação urgente e internamento nos cuidados intensivos, decorrido dias antes, eu ainda ausente, fazendo recear um desfecho tenebroso e a quarta me placou, solicitando-me intervenção para resolução da ferida de pressão do jovem internado, cujo estada se agrava diariamente.....parei, retirei-me por instantes e desfilei o seminário com a lista de saberes ali adquirido. Descobri os conselhos do trampolim, para entrar, assim sem preparação no tempo social, tão diferente do pessoal, das minhas férias já quase esquecidas. Talvez agora pratique um pouco do riso forçado, enquanto aguardo a nova profissão do conselheiro filosófico para me ensinara a... pensar bem, em situação de crise!"
Para mais informações, consulte a Página Oficial da APDP


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